O presidente da Argentina,Javier Milei — Foto: Photo by ALEJANDRO PAGNI / AFP RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

O presidente da Argentina,Javier Milei — Foto: Photo by ALEJANDRO PAGNI / AFP
GERADO EM: 16/04/2026 - 19:43
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No Brasil e em outros lugares fora da Argentina,brasileiros costumam me fazer a mesma pergunta: afinal,Milei deu um jeito no país? A última vez que me fizeram essa consulta foi na Polônia,um país admirado por economistas argentinos como Luciano Laspina,ex-deputado do Pro,partido fundado pelo ex-presidente Maurício Macri (2015-2019),e visto como modelo a seguir pela Argentina. Semana passada,um casal de Curitiba que passeava em Varsóvia quis saber se Milei tinha encontrado uma solução para os problemas argentinos,em momentos em que pesquisas de opinião como a realizada pela Universidade de San Andrés indicam que 68% dos argentinos estão insatisfeitos com a situação do país.
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Em meio ao escândalo de privilégios e suposto enriquecimento ilícito envolvendo o chefe de Gabinete,considerado braço-direito da secretária geral da Presidência,Karina Milei,irmã do chefe de Estado,a Casa Rosada recebeu outra péssima notícia em março: a inflação mensal atingiu 3,superando a média de em torno de 2% dos últimos meses.
Os dados de março de 2026 mostraram que derrotar a inflação ainda é um desafio a ser superado. Passados pouco mais de dois desde que assumiu o poder,recebendo um país com gravíssimos problemas fiscais,econômicos e financeiros,o presidente conseguiu iniciar um processo de estabilização. Não é pouco para a Argentina. Mas está longe de ser suficiente.
Milei zerou o déficit fiscal,tornando-se muito popular em Washington,entre representantes de organismos como o Fundo Monetário Internacional,que acaba de liberar um novo desembolso para o país. O presidente pôs um pouco de ordem no mercado cambial,está abrindo a economia e conteve uma escalada inflacionária que poderia ter arrastado a Argentina para uma nova hiperinflação.
Na macroeconomia,os números melhoraram. Mas na microeconomia,os problemas continuam e setores como a classe média estão cada dia mais asfixiados. Nos primeiros quatro meses de 2026,a cesta de produtos e serviços básicos consumidos pela classe média aumentou 22,2% na cidade de Buenos Aires,segundo a empresa de consultoria de mercado Focus Market. Cada vez se ouve mais na Argentina a frase “não consigo chegar ao fim do mês”. Dados do Banco Central confirmam que a inadimplência das famílias subiu para 10,6% em janeiro de 2026,acima dos 9,3% de dezembro de 2025,e dos 2,8% de dezembro de 2023.


Diante deste cenário,os escândalos do chefe de Gabinete,que foi porta-voz do governo e disse que com Milei terminariam os casos de funcionários públicos usando bens do Estado a seu favor,ganharam ainda mais força. Tudo começou com a confirmação de que a mulher de Adorni viajou no avião da Presidência para acompanhar o marido a Nova York. Todos os dias,Adorni é notícia por propriedades que nunca declarou,algumas delas compradas com supostos empréstimos de aposentadas que disseram a jornalistas nunca terem conhecido o chefe de Gabinete.
O caso atingiu em cheio a narrativa de austeridade de Milei. Como manter essa narrativa se Adorni,que integra o círculo íntimo do presidente,viajou para Punta del Este no último verão num jatinho fretado por um empresário amigo? O inferno astral do presidente cresce a cada dia que passa. Os argentinos continuam esperando soluções,agora com menos expectativas e muitas dúvidas sobre a idoneidade do presidente e seu Gabinete.

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