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Bandeiras do Brasil e China — Foto: Beto Barata/Agência Brasil
GERADO EM: 06/05/2026 - 18:22
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Os investimentos chineses no Brasil saltaram 45% no ano passado ante 2024,para US$ 6,o maior montante desde 2017,segundo levantamento anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC),que será divulgado nesta quinta-feira. O estudo mapeou 52 projetos ou transações de investimento,recorde da série histórica iniciada em 2007.
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O Brasil foi o principal destino dos investimentos da China no exterior em 2025,segundo dados do China Global Investment Tracker,monitor do think tank americano American Enterprise Institute (AEI),compilados pelo CEBC.
Segundo o diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC,Tulio Cariello,o destaque do Brasil se deve a uma combinação de riqueza de recursos naturais,com grande mercado consumidor e base industrial já estabelecida.
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Tanto que os destaques nos investimentos foram os setores elétrico,de mineração e automotivo. Agregando por outra ótica,31 projetos,ou 60% do total,foram associados em redução de emissões de carbono.
No levantamento do CEBC,o setor elétrico respondeu por 29,5% dos investimentos no Brasil no ano passado,com US$ 1,79 bilhão.
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A CPFL — que atua em geração,transmissão e distribuição de eletricidade e é controlada,desde 2017,pela State Grid Corporation of China,gigante do setor elétrico — foi a principal investidora de 2025,segundo o estudo.
Ano passado,a companhia investiu R$ 6,1 bilhões e prevê aportar mais R$ 6,5 bilhões este ano,conforme apresentação institucional de dezembro último. O plano de investimentos 2026-2030 da CPFL soma R$ 31,1 bilhões.
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Na mineração,o investimento triplicou ante 2024,segundo o CEBC,com destaque para a estratégia das mineradoras chinesas de comprar projetos em funcionamento,como as minas de ouro da canadense Equinox Gold em Minas,Bahia e Maranhão — a CMOC pagará US$ 1 bilhão por elas — e a operação de níquel da Anglo American — que ficará com a MMG,mineradora australiana controlada pela China Minmetals,por US$ 500 milhões.
Na indústria automotiva,foram US$ 965 milhões em investimentos chineses,com destaque para a fabricação de carros eletrificados,tecnologia na qual as marcas chinesas se destacam. É uma alta de 66% ante 2024,embora “o montante final possa ser superior,uma vez que houve investimentos cujo valor não foi revelado”,diz o relatório do estudo.
Além de ser o sexto maior do mundo em venda de veículos leves,segundo a consultoria italiana Focus2Move,o mercado brasileiro vem aderindo à eletrificação. Até abril,foram vendidos 139 mil carros “eletrificados” (100% elétricos ou híbridos),salto de 97% ante o primeiro quadrimestre de 2025,de acordo com a Fenabrave,entidade que representa as concessionárias.
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Os destaques do ano passado foram as inaugurações da fábrica da BYD,na Bahia,e da GWM,em São Paulo. Além disso,a Geely investiu numa participação acionária de 26,4% da subsidiária brasileira da Renault,o que permitirá fabricar seus carros na fábrica da montadora francesa no Paraná.

Fábrica da BYD na Bahia,que foi inaugurada em meados de 2025 — Foto: Divulgação/BYD
O relatório do CEBC ressalta também o “notável” investimento das marcas chineses em propaganda,com foco em “nacionalizar” seus produtos e suas imagens. A BYD até entrou numa disputa publicitária com a Volkswagen ao anunciar que assumiu a liderança de vendas no país em abril.
Segundo Cariello,o apetite pelo mercado brasileiro também impulsiona uma diversificação,com espaço para projetos menores na indústria manufatureira — a chinesa Vivo Mobile anunciou que fabricará celulares na Zona Franca de Manaus —,nos serviços de tecnologia,como os aplicativos de entregas — as chinesas 99 e Keeta estão em meio a uma disputa bilionária com o iFood — e no varejo de alimentação — a rede de fast-food Mixue anunciou aporte de R$ 3,2 bilhões para se instalar no país.
A diversificação de setores investidos vem acompanhada de uma sofisticação,disse o advogado Christiano Rehder,sócio da área de Societário e Fusões e Aquisição do escritório Lefosse,ao relatar contatos recentes de investidores chineses.
As empresas chinesas têm,cada vez mais,contratado serviços locais de assessoria jurídica e financeira,adaptando-se rapidamente às particularidades nacionais.
— Eles não querem mais ser considerados azarões. Querem estar na frente,querem ser considerados investidores de primeiro nível,bem relacionados e bem amparados com assessores jurídicos e financeiros de primeira linha. Há uma disposição para passarem a ser vistos como alguém que não é um aventureiro do Oriente — afirmou Rehder.
A diversificação dos investimentos também com projetos menores ajuda a manter o Brasil entre os maiores destinos do capital chinês. Segundo o estudo do CEBC,o país está entre os cinco maiores destinos desde 2021,mesmo após após uma mudança de composição.
Quando começou sua expansão mundo afora,a política de investimentos da China priorizava os grandes mercados consumidores dos países desenvolvidos. Mais recentemente,passou a focar nos emergentes.
— A China está tendo mais dificuldade para investir em países que eram particularmente atrativos até dez anos atrás. Os investimentos na Europa e nos EUA,mesmo que cresçam eventualmente,já não estão mais naquele nível que era antigamente — disse Cariello.
Nesse ponto,o cenário geopolítico pesa. A relação bilateral entre o Brasil-China se aprofunda à medida que os EUA vão adotando uma posição mais isolacionista sob o comando de Donald Trump. O tarifaço derrubou as exportações do Brasil para os EUA,mas as vendas para a China seguiram batendo recorde.

Para Tulio Cariello,do CEBC,cenário geopolítico favorece aprofundamento dos laços entre Brasil e China — Foto: Divulgação
— O Brasil não tem nenhum tipo de contencioso sério com a China. Estamos distantes desses grandes conflitos,no Oriente Médio e no Leste Europeu. É uma combinação de fatores que favorece muito a entrada do investimento e já tem empresas investindo aqui há muito tempo,que conhecem o mercado — completou Cariello.
Já Marco Aurélio Alves de Mendonça,técnico da área internacional do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),chamou a atenção para a complementaridade das economias do Brasil e da China. Os chineses precisam das matérias-primas minerais e agrícolas produzidas no país,assim como os produtores brasileiros precisam da demanda do gigante asiático.
Para Mendonça,essa complementariedade acaba pesando mais do que postura de Trump — que pode ter efeitos de curto prazo no comércio ou nos discursos diplomáticos — e dá contornos estratégicos e de estado à relação bilateral Brasil-China. Nesse contexto,os investimentos são mais pensados,com foco no médio prazo.
— Eles precisam muito da gente e a gente deles. A relação está solidificada — resumiu o pesquisador do Ipea.

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