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Transtorno dismórfico corporal: a rejeição à própria aparência que atinge mais gente do que se imagina; veja os sinais

Pessoas com TDC não apenas acreditam que são pouco atraentes,mas também podem se convencer de que os outros irão rejeitá-las por causa de seus defeitos — Foto: Unsplash

RESUMO

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GERADO EM: 20/05/2026 - 12:06

Transtorno Dismórfico Corporal: Diagnóstico e Tratamento Cruciais

O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é uma condição mental onde indivíduos se fixam em supostos defeitos físicos quase imperceptíveis,causando isolamento e sofrimento extremo. Atingindo 2% a 3% da população,muitas vezes é subdiagnosticado. O tratamento inclui terapia cognitivo-comportamental e,em casos graves,medicação. A condição está frequentemente associada a TOC,depressão e pensamentos suicidas.

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Mandy Rosenberg,35 anos,de Brookfield,em Wisconsin,sempre chamou atenção por causa da aparência. Com cabelos longos e loiros,porte atlético e grandes olhos azuis,ela era chamada de Barbie por alguns colegas do ensino médio. Mas,embora as pessoas frequentemente dissessem que ela era bonita,ela não se enxergava da mesma forma.

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Ela passava horas encarando uma pequena imperfeição na testa,quase imperceptível para os outros. Em sua mente,porém,aquilo era uma cicatriz grande e desagradável,e ela subia na pia do banheiro para chegar o mais perto possível do espelho enquanto a examinava.

— Se eu não conseguisse fazer aquilo desaparecer,eu não queria mais viver — afirma.

Rosenberg não sabia na época,mas tinha tanto transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) quanto transtorno dismórfico corporal (TDC),uma condição de saúde mental que leva as pessoas a passarem uma quantidade excessiva de tempo preocupadas com a própria aparência — a ponto de se isolarem dos outros e se sentirem aprisionadas em seus próprios corpos.

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Pessoas com TDC não apenas acreditam que são pouco atraentes,mas também podem se convencer de que os outros irão rejeitá-las por causa de seus defeitos.

— Elas frequentemente sentem que não merecem ser amadas — afirma Katharine Phillips,especialista em TDC e psiquiatra da Faculdade de Medicina Weill Cornell e do hospital NewYork-Presbyterian.

O que é o transtorno dismórfico corporal?

Pessoas com TDC se fixam em supostos problemas estéticos que,para os outros,parecem inexistentes ou insignificantes. Mas não se trata de vaidade; quem sofre do transtorno sente uma angústia extrema que prejudica seu funcionamento no dia a dia.

O transtorno geralmente surge na adolescência e estima-se que afete de 2% a 3% da população em geral,embora esses números possam ser conservadores,já que a condição é subdiagnosticada.

Estudos mostraram diferenças no cérebro de pessoas com TDC,explica Jamie Feusner,professor de psiquiatria da Universidade de Toronto. Parte de suas pesquisas identificou que,nessas pessoas,áreas do cérebro responsáveis por enxergar as coisas de forma ampla funcionam menos do que o normal.

Isso pode explicar por que indivíduos com TDC têm dificuldade em perceber suas imperfeições como pequenas em relação ao rosto ou corpo inteiro. É como olhar para uma janela com uma mancha e “achar que a janela inteira está arruinada”,diz Feusner.

Pacientes com TDC nem sempre percebem que suas preocupações têm origem em um problema de saúde mental. Em vez disso,acreditam sinceramente que possuem defeitos físicos.

Por causa disso,alguém pode sofrer por uma década ou mais antes de procurar ajuda de um profissional de saúde mental,afirma Hilary Weingarden,psicóloga de Massachusetts que pesquisa TOC e condições relacionadas.

— Elas vão ao dermatologista,ao cirurgião plástico,ao dentista e à esteticista. Mas tentar “consertar” a aparência acaba apenas agravando a ansiedade a longo prazo — explica.

Quais são os sinais e sintomas?

Pessoas com TDC podem se afastar de relacionamentos,evitar trabalho ou escola e gastar tempo excessivo em comportamentos repetitivos,como se examinar no espelho,tentar esconder a aparência ou buscar reafirmação constante dos outros.

Chris Trondsen,terapeuta em Costa Mesa,na Califórnia,que diagnosticou Rosenberg com TDC,afirma que seus pacientes admitem passar horas conversando com robôs de inteligência artificial,tanto em busca de validação quanto perguntando o que deveriam “corrigir” em si mesmos.

— Se você pergunta para um humano,as pessoas acabam ficando cansadas de responder às mesmas perguntas — conta Trondsen.

Trondsen foi inspirado a estudar psicoterapia por causa de sua própria luta contra o TDC. Ele costumava se fixar na própria pele e se preocupar achando que seu nariz era grande demais para o rosto e que seu corpo não era musculoso o suficiente — uma forma de TDC chamada dismorfia muscular.

— Eu continuava achando que estava ficando mais feio — revela.

Como muitas pessoas com TDC,ele também passava horas observando o corpo no espelho e raramente saía do apartamento. Aos 21 anos,tornou-se tão isolado e consumido pela própria aparência que tentou suicídio,e poderia ter morrido se seu colega de quarto não o tivesse encontrado. Depois disso,procurou ajuda e foi diagnosticado com TOC e TDC.

É comum que pessoas com TDC também apresentem condições como TOC,transtorno depressivo maior,fobia social e transtorno por uso de substâncias. Estudos indicam ainda altas taxas de pensamentos e comportamentos suicidas entre esses pacientes. Uma meta-análise descobriu que,ao longo da vida,cerca de 66% das pessoas com TDC terão pensamentos suicidas e aproximadamente 35% tentarão suicídio.

Como é o tratamento?

A terapia cognitivo-comportamental para TDC demonstrou levar à remissão em mais da metade dos pacientes. O tratamento inclui técnicas de exposição e prevenção de resposta,que ajudam os pacientes a enfrentarem gradualmente situações que evitam ou rituais dos quais se tornaram dependentes,como esconder partes do corpo com roupas ou maquiagem.

Os terapeutas tentam ajudar os pacientes a se enxergarem de maneira mais ampla,enfatizando que eles são mais do que as partes específicas do corpo que tanto observam.

O transtorno também pode ser tratado com inibidores de recaptação de serotonina,frequentemente em doses altas. Para casos graves de TDC,tanto medicação quanto terapia cognitivo-comportamental são recomendadas,segundo Phillips.

No caso de Rosenberg,a terapia cognitivo-comportamental com seu antigo terapeuta,Trondsen,ajudou gradualmente a melhorar sua condição.

Mais tarde,como parte do tratamento,ela criou um diagrama mostrando tudo o que contribui para sua identidade: ela é filha,cristã devota,ama cães e gatos,é professora,carinhosa — é mais do que apenas sua aparência.

— Meu corpo — diz ela — não pode determinar como eu vou viver o meu dia.

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