
Novo programa permite que profissionais de transporte autônomos adquiram veículos com taxas de juros mais baixas — Foto: Arquivo O Globo
GERADO EM: 20/05/2026 - 22:22
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Motoristas de aplicativos e taxistas ganharam uma nova modalidade para financiar veículos: o programa Move Brasil. A nova linha de financiamento,lançada na última terça-feira,vai permitir que os profissionais de transporte autônomos adquiram veículos com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado.
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O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu hoje as condições dos financiamentos,confirmando o que adiantara ontem presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),Aloizio Mercadante. As taxas serão de 12,5% ao ano para mulheres.
Os juros dessa nova modalidade de financiamento também são inferiores à taxa básica de juros (Selic),atualmente em 14,5% ao ano. Isso é possível porque o presidente Lula assinou uma medida provisória (MP) que permite o Ministério da Fazenda repassar R$ 30 bilhões para essas operações financeiras por meio do BNDES.
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O Move Brasil será voltado para taxistas e motoristas de plataformas como Uber,99 e iFood,desde que tenham feito ao menos 100 corridas no espaço de um ano.
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O ponto de corte,que representa mais ou menos duas corridas por semana,é uma tentativa do governo de restringir o programa a pessoas com habitualidade na profissão,mesmo que não trabalhem todos os dias. Existe a preocupação de evitar cadastros por parte de motoristas interessados apenas em crédito mais barato a partir do lançamento.
José dos Santos Santana Jr. advogado especialista em Direito Empresarial e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados,fez uma uma simulação considerando os valores das parcelas e o total pago em um financiamento de veículos pelo programa Move Brasil nos valores de R$ 100 mil e R$ 150 mil.

Move Brasil — Foto: Reprodução
O especialista levou em conta operações sem entrada e os juros divulgados do programa da nova linha de crédito (12,5% ao ano para mulheres). Com os resultados obtidos,o advogado fez uma comparação com o financiamento tradicional,tendo como referência a taxa média de mercado próxima de 24,2% ao ano (1,82% ao mês) — baseada em médias recentes de financiamento automotivo para pessoa física.
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Também foi simulado o valor de aluguel,considerando uma faixa média próxima de R$ 3 mil por mês para veículo usado por motoristas de aplicativo — categoria sedã compacto automático.
No programa Move Brasil,para veículos de R$ 100 mil,mulheres pagariam ao longo de 72 meses — prazo máximo de parcelamento da nova linha de crédito — um total de R$ 136.806. No mesmo período,homens desembolsariam R$ 140.485. A diferença,neste caso,seria de R$ 3.679.

Move Brasil — Foto: Reprodução
Já no financiamento de veículo tradicional de mesmo valor,o motorista — de ambos os sexos — pagaria um total de R$ 180.349 ao longo de 72 meses. Nesse caso,a linha de crédito do Move Brasil garantiria às mulheres uma economia de quase R$ 44 mil e para os homens de R$ 40 mil.
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— O dado que chama a atenção é que,no carro de R$ 100 mil,o programa coloca a prestação entre R$ 1.900 e R$ 2 mil,abaixo do aluguel médio usado por motoristas de aplicativo (que seria de R$ 3 mil por mês). Já no financiamento tradicional,a parcela sobe para cerca de R$ 2.500,aproximando-se do aluguel — afirma o advogado José dos Santos.
O especialista também fez simulações com o valor de R$ 150 mil. Considerando as mesmas condições dos exemplos anteriores,os homens pagariam R$ 210.727 ao longo de seis anos no Move Brasil,e as mulheres,R$ 205.208.

Move Brasil — Foto: Reprodução
No financiamento tradicional,os motoristas pagariam R$ 270.524 no mesmo período (72 meses). Isso significaria uma economia de R$ 65.300 para as mulheres e de R$ 59.800 para os homens.
— No veículo de R$ 150 mil,a vantagem do programa continua relevante: a economia acumulada pode ultrapassar R$ 65 mil ao longo do contrato.
Ele,no entanto,faz um alerta importante:
— Vale inserir uma ressalva: a comparação (entre financiamentos tradicionais e pelo Move Brasil) mostra apenas o custo do financiamento. O carro próprio ainda adiciona seguro,IPVA,manutenção e depreciação,enquanto parte desses custos costuma estar incluída no aluguel — observa o especialista.

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