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PT tenta conter crise com PSB após João Campos reagir à defesa de palanque duplo para Lula

Lula entre Lyra e Campos: ex-prefeito do Recife se queixou com presidente nacional do PT após o ministro Wellington Dias afirmar que o presidente apoiaria as duas candidaturas — Foto: Cristiano Mariz/11-06-2024

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GERADO EM: 08/06/2026 - 22:34

Tensão entre PT e PSB: Crise em Pernambuco e disputa em SP e MG

O PT trabalha para conter uma crise com o PSB após João Campos,pré-candidato ao governo de Pernambuco,criticar a possibilidade de Lula ter palanque duplo no estado,apoiando também a reeleição de Raquel Lyra (PSD). Edinho Silva,presidente do PT,desautorizou declarações que sugeriam apoio a ambos. A tensão entre os partidos se estende a São Paulo e Minas Gerais,onde alianças e candidaturas estão em disputa.

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Em um novo atrito entre PT e PSB,o pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) reagiu ontem à possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter um palanque duplo no estado e prestigiar também a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD),principal adversária do ex-prefeito do Recife. O presidente do PT e coordenador da pré-campanha petista à Presidência,Edinho Silva,foi acionado pela cúpula do partido aliado e atuou para tentar conter a crise.

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Campos se queixou a Edinho,segundo aliados,após o ministro petista Wellington Dias (Desenvolvimento Social),que também vai integrar a coordenação de Lula,afirmar ao GLOBO que o presidente apoiaria as duas candidaturas. Após a repercussão,Edinho desautorizou o correligionário.

— Essa posição está clara desde o início. Em Pernambuco,o presidente Lula tem um único palanque,é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é desnecessário — afirmou Edinho.

Dias disse na entrevista que a campanha à reeleição do petista deve ser acompanhada por uma articulação voltada ao centro político e defendeu a construção de palanques estaduais capazes de assegurar governabilidade em um eventual novo mandato,indicando que esse seria o caso de Pernambuco.

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— Temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade,mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela— afirmou o ministro.

Integrantes da cúpula do PSB ficaram incomodados com a declaração do ministro,já que são frontalmente contra a possibilidade de o petista subir também no palanque de Lyra,que busca a reeleição.

O PSB tem tratado a eleição ao governo de Pernambuco como prioridade número um. Dirigentes da sigla dizem que a possibilidade de um apoio dividido de Lula no estado pode levar a uma reavaliação dos apoios do PSB ao PT em outras unidades da federação.

Costura delicada

A declaração do ministro do Desenvolvimento Social gerou também desconforto entre aliados de Lula,uma vez que há a avaliação que Pernambuco exige uma costura delicada,por se tratar de dois postulantes que indicam que deverão apoiar Lula. Interlocutores do presidente dizem ainda que o PSB é o principal aliado do PT nacionalmente e que é preciso evitar ruídos nessa relação.

Esse estremecimento entre as duas siglas sobre eventual duplo palanque em Pernambuco,no entanto,não é novidade. O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa era um dos aliados do presidente que defendia essa possibilidade,contrariando Campos. A avaliação,ali,era que a eleição de 2026 será apertada e,dessa forma,o petista não poderia prescindir de apoios.

Campos era considerado favorito na disputa,mas o cenário mudou. Pesquisa Datafolha divulgada no fim de maio mostrou uma virada de Raquel Lyra. O levantamento apontou a governadora na liderança da corrida,com 48% das intenções de voto,contra 43% do ex-prefeito,e também está à frente em um eventual segundo turno. Em abril,Campos aparecia com 12 pontos percentuais de vantagem contra a governadora.

Além de Pernambuco,o quadro eleitoral em São Paulo gerou fricções entre PSB e PT,por disputas de espaço na chapa. O pré-candidato do PT ao governo,Fernando Haddad,já afirmou que deseja resolver o desenho o quanto antes,mas há divergências entre aliados. O grupo majoritário do PT defende que o vice seja o ex-ministro Márcio França (PSB),mas a cúpula do PSB e o próprio França preferem uma candidatura ao Senado. Essa intenção,entra em choque com os desejos das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede),que também desejam concorrer à Casa — só duas vagas estarão em disputa.

O principal nó,de acordo com interlocutores que acompanham as negociações,é que a cadeira de vice é vista como pouco atrativa diante do favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) frente a Haddad. Pesquisa Datafolha mostrou em março que Tarcísio tem 44% das intenções de voto,enquanto Haddad marcou 31%. Uma candidatura ao Senado é vista como mais promissora,portanto.

Nova rota em Minas

Os cálculos de viabilidade eleitoral também compõem o debate em Minas Gerais,onde PT e PSB abriram o leque de alternativas após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de disputar o governo. Ele seria o candidato de Lula e uniria os dois partidos,mas a saída deixou o quadro em aberto. O PSB sustenta que terá candidatura própria e apresenta,entre outros,os nomes do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares e do empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) Josué Gomes.

Edinho já sinalizou que os dois nomes são levados em consideração,mas o PT também avalia uma composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT),que tem resistido à possibilidade,e do ex-presidente da Câmara Municipal da capital Gabriel Azevedo (MDB). Outra ala do partido defende a candidatura própria,hipótese em que o nome da ex-prefeita de Contagem Marília Campos surge — ela,por ora,tem se apresentado como pré-candidata ao Senado.

“Entendemos que a apresentação de uma candidatura própria do PT,construída em unidade com os partidos da federação,em diálogo permanente com os movimentos sociais,sindicais e articulada à liderança do presidente Lula é o melhor caminho para ampliar o debate com nossa militância e consolidar um verdadeiro projeto de reconstrução para Minas Gerais”,diz um documento apresentado pelo diretório estadual do PT em Minas no fim de maio.

Houve ainda um tensionamento,já desfeito,em torno da chapa de Lula à reeleição. Um grupo próximo ao presidente defendia que o atual ocupante do posto,Geraldo Alckmin (PSB),deixasse a posição na tentativa de reeleição em uma estratégia que buscaria ampliar a aliança de Lula. Uma hipótese era oferecer a vaga ao MDB e levar Alckmin para concorrer a um cargo em São Paulo. A hipótese gerou reações no PSB e do próprio vice,mas no fim de março Lula desfez as articulações e anunciou Alckmin como seu companheiro de chapa.

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