
Os senadores Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
GERADO EM: 21/07/2026 - 19:00
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Às vésperas da convenção nacional que oficializará sua candidatura à Presidência,o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em uma corrida para reduzir as pendências que ainda cercam sua campanha. Nos últimos dias,o presidenciável telefonou para os presidentes do PP,Ciro Nogueira,e do União Brasil,Antonio Rueda,e planejava aproveitar a convenção estadual da federação União Progressista,realizada na segunda-feira,em São Paulo,para conversar pessoalmente com ambos. Os dois,porém,não compareceram ao evento.
Até agora,Flávio conseguiu confirmar apenas uma reunião,marcada para esta quarta-feira com Ciro,em Brasília. Com Rueda e com o presidente do Republicanos,Marcos Pereira,ainda não há previsão de encontro.
A ofensiva ocorre em meio às tratativas do PL para fechar a chapa presidencial e consolidar acordos estaduais considerados essenciais para uma aliança nacional com partidos do Centrão,especialmente no Rio de Janeiro,Minas Gerais,Mato Grosso e Roraima.
A ausência de Ciro e Rueda em São Paulo frustrou os planos do senador de concentrar essas conversas durante o evento. Oficialmente,o presidente do PP cumpria agenda no Piauí,enquanto Rueda participava de compromissos partidários no Maranhão.
Mesmo sem o encontro presencial,Flávio manteve contato com Ciro e conseguiu marcar uma reunião para esta quarta-feira. A conversa ocorre dois dias depois de o PL formalizar,no Piauí,apoio à candidatura do senador à reeleição,movimento interpretado por dirigentes das duas legendas como um gesto para preservar o diálogo entre os partidos.
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Nos bastidores,a aproximação é cercada de cautela. Aliados de Flávio defendiam que o presidenciável evitasse assumir protagonismo nas negociações envolvendo Ciro por causa do desgaste provocado pela investigação sobre o Banco Master. O senador foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura um suposto recebimento de pagamentos mensais e outras vantagens custeadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro,fundador da instituição financeira.
Do outro lado,interlocutores de Ciro afirmam que ele também foi aconselhado a desistir da candidatura ao Senado e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados,em razão da repercussão do caso.
O encontro desta quarta deve tratar tanto da relação nacional entre PL e PP quanto dos impasses estaduais,sobretudo no Rio de Janeiro. Flávio tenta convencer a federação União Progressista a manter o apoio à candidatura de Douglas Ruas ao governo do estado e evitar uma posição de neutralidade que enfraqueceria seu principal palanque eleitoral.
Com os demais dirigentes,o cenário continua indefinido. Marcos Pereira afirmou ao GLOBO que está em São Paulo e que não há previsão de encontrar Flávio antes da convenção do PL. Os dois estiveram juntos na quinta-feira passada,em uma reunião que terminou sem acordo. As conversas entre PL e Republicanos seguem travadas pelas exigências da legenda de apoio a seus candidatos em estados considerados estratégicos,como Mato Grosso,Roraima e Minas Gerais.
Além disso,o Republicanos realizou uma consulta interna para medir o posicionamento de seus filiados sobre a eleição presidencial. Segundo interlocutores,a maioria defendeu que o partido permaneça neutro na disputa. Filiada à legenda,a ex-presidente da Caixa Daniella Marques continua como principal cotada para a vice de Flávio,mas dirigentes afirmam que sua eventual indicação não significaria,automaticamente,o apoio formal do Republicanos à chapa presidencial do PL.
Na federação União Progressista,a tendência também continua sendo de neutralidade na disputa presidencial,embora dirigentes admitam manter acordos regionais em estados onde candidatos alinhados ao bolsonarismo apareçam competitivos.
Com poucos dias até a convenção,a expectativa é que Flávio seja oficializado candidato sem anunciar a vice. A campanha trabalha com a possibilidade de concluir as negociações com os partidos aliados apenas até o prazo final para o registro das candidaturas,em 5 de agosto.

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