
A Polícia Civil deflagrou,na manhã desta quarta-feira,uma operação no Complexo da Maré,na Zona Norte do Rio — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
GERADO EM: 22/07/2026 - 23:11
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O Rio de Janeiro concentrou 44% dos prejuízos provocados por roubos de cargas registrados no país no primeiro trimestre deste ano,segundo levantamento da empresa de tecnologia logística Nstech. O estudo mostra que a maioria das ações das quadrilhas ocorre na Região Metropolitana: a capital respondeu,sozinha,por 51,9% das perdas registradas no estado,seguida por São Gonçalo (14%),Nova Iguaçu (9,6%) e Duque de Caxias (9,4%). O desempenho coloca o Rio à frente de São Paulo (28,1%) e Bahia (9,2%) e reforça a concentração desse tipo de crime nos principais polos urbanos e logísticos fluminenses.
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Outro dado que chama atenção é a mudança do local das abordagens. Segundo o levantamento,60,7% dos prejuízos ocorreram em trechos urbanos,enquanto entre as rodovias se destacam a BR-101,responsável por 21,5% das perdas,e a BR-116,com 5,8%. Para a empresa,o cenário mostra que as quadrilhas estão cada vez menos dependentes das grandes estradas e mais inseridas no ambiente urbano,aproveitando a circulação intensa de mercadorias e a proximidade de áreas de fuga.
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O estudo também identificou que as rotas mais visadas são as internas e as que chegam ao estado. O trajeto RJ-RJ respondeu por 30,8% dos prejuízos,seguido por SP-RJ (16,4%) e MT-RJ (9,8%),reforçando a estratégia de atacar cargas próximas aos centros de distribuição e às principais portas de entrada do estado.
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No perfil das mercadorias,predominam cargas fracionadas (44,3%) e alimentos (34,1%). Segundo a Nstech,esses produtos oferecem alta liquidez no mercado informal,menor rastreabilidade individual e podem ser rapidamente redistribuídos após o roubo.
O levantamento mostra ainda que,no Rio,os criminosos têm preferência por operações de valor intermediário. As cargas entre R$ 100 mil e R$ 500 mil responderam por 45,9% dos prejuízos registrados,seguidas pelas de R$ 500 mil a R$ 1 milhão (31,4%). Para os pesquisadores,cargas muito valiosas exigem operações mais complexas e aumentam o risco de reação policial,tornando embarques de valor intermediário mais atrativos.
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Em relação ao horário das ações,a madrugada concentrou 34% dos prejuízos,seguida pelas manhãs (25,2%). Apesar disso,o relatório destaca que quase dois terços dos roubos acontecem durante o dia,evidenciando uma atuação cada vez mais ousada das quadrilhas em ambientes com grande circulação de pessoas e veículos. As quintas-feiras (25%) e segundas-feiras (20,2%) foram os dias de maior incidência,coincidindo com períodos de maior fluxo logístico e abastecimento.
Os medicamentos se tornaram um dos principais alvos das quadrilhas especializadas em roubo de cargas. Segundo a Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados (Abradimex),cerca de 40% dos roubos de cargas farmacêuticas registrados no país ocorrem no Rio de Janeiro. Já levantamento da Nstech mostra que os remédios passaram de 1,7% dos prejuízos registrados no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período deste ano,refletindo uma mudança no perfil das cargas visadas pelo crime organizado.
De acordo com o presidente da Abradimex,Paulo Maia,as cargas costumam reunir medicamentos de alto custo destinados ao tratamento de câncer,doenças autoimunes e enfermidades raras. O setor afirma que o avanço desse tipo de roubo elevou entre 20% e 30% os custos de transporte,com reforço de escoltas armadas,veículos blindados e monitoramento,além de aumentar a dificuldade para contratação de seguros e o risco de desabastecimento no estado.

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