
Impedimento semiautomático no Brasileirão x na Copa do Mundo — Foto: CBF / Fifa
GERADO EM: 27/07/2026 - 20:06
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Antes restrito à Copa do Mundo e às principais ligas europeias,o impedimento semiautomático fez sua estreia no Campeonato Brasileiro neste fim de semana. E bastou uma rodada para que a nova tecnologia gerasse polêmica e forçasse a CBF a fazer ajustes. Ao todo,foram cinco checagens,a de maior repercussão no empate em 1 a 1 entre Flamengo e São Paulo,no Maracanã,quando o gol de Samuel Lino,nos minutos finais,foi anulado após o sistema identificar que Wallace Yan estava em posição irregular no início da jogada por uma ponta da chuteira.
CBF faz balanço positivo da estreia do impedimento semiautomático e prevê ajustes após questionamentos
Após torcedores reclamarem que o momento do passe não foi apresentado na animação,a CBF decidiu,para as próximas rodadas,também mostrá-lo na transmissão para evitar desconfiança,segundo o Uol.
“A CBF esclarece que o sistema usado no Brasil opera com captura de imagens a 100 quadros por segundo e identifica automaticamente o exato instante do último contato do jogador com a bola,o chamado ponto de contato”,explicou a entidade.
Outras dúvidas também surgiram: por que a animação é diferente da vista no Mundial? Há sensor na bola utilizada no Brasileirão? A resposta é simples: embora tenham o mesmo nome e a mesma finalidade,a tecnologia do impedimento semiautomático adotada pela CBF não é totalmente igual à da Fifa.
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O sistema implementado pela CBF foi desenvolvido pela Genius Sports e automatiza boa parte do processo que antes era feito manualmente pelos operadores do VAR. Entre 28 e 32 câmeras de celulares de última geração foram espalhadas nos 20 estádios contemplados. São captados 100 quadros por segundo para que a tecnologia analise o movimento da bola e faça o mapeamento dos atletas. Por meio de inteligência artificial,identificam as linhas de impedimento. O objetivo é reduzir o tempo de análise e eliminar a interferência humana no traçado das linhas.
Na Copa do Mundo,porém,o processo é mais minucioso. O sistema utilizado pela Fifa,desenvolvido pela Hawk-Eye,combina o rastreamento óptico dos atletas com um sensor instalado dentro da bola,capaz de transmitir sua posição 500 vezes por segundo. Além disso,são utilizadas 12 câmeras dedicadas para monitorar até 29 pontos corporais de cada jogador cinquenta vezes por segundo. Esse conjunto permite identificar automaticamente não apenas a posição dos atletas,mas também o instante exato em que a bola é tocada pelo último jogador.

Impedimento de jogador iraniano na partida contra o Egito na Copa do Mundo — Foto: Reprodução
Foi justamente essa ausência do sensor na bola que gerou reclamação entre os torcedores após o jogo do Flamengo. Na Copa do Mundo,a animação exibida nas transmissões mostrava uma reconstrução tridimensional detalhada do lance,com indicação precisa do momento do passe e da posição dos jogadores.
No Brasileirão,embora exista uma animação gráfica,o momento do toque ainda é determinado pelas imagens captadas pelas câmeras,e não por um dispositivo instalado na bola — segundo a empresa responsável,a quantidade de material capturado compensa. A posição dos atletas é calculada automaticamente,mas o sistema depende da leitura óptica para definir o frame exato do passe. A imagem transmitida no telão também não capta o exato momento do passe,mostrando apenas as linhas traçadas.
Na Copa do Mundo,graças à velocidade da tecnologia,os árbitros assistentes eram comunicados em tempo real se havia ou não impedimento. A partir dessa comunicação,eles levantavam ou não a bandeira.
No Brasileirão,os auxiliares terão autonomia para definir o lance sem o auxílio da tecnologiaa. A marcação de campo será validada ou não posteriormente após ação do impedimento semiautomático.
De qualquer forma,o Brasileirão deu um salto importante em relação ao antigo procedimento do VAR. Até então,operadores precisavam selecionar manualmente o frame do passe e posicionar as linhas sobre os jogadores. Com o impedimento semiautomático,essas etapas passam a ser automatizadas,reduzindo significativamente o tempo de revisão e diminuindo a margem para erro humano na marcação das linhas. Pelo sistema da CBF,o impedimento semiautomático terá margem de erro mínima na marcação da linha de impedimento,de aproximadamente um centímetro.
Também há a expectativa de redução no tempo de decisão da arbitragem. O sistema utilizado pela CBF é o mesmo oferecido nas ligas da Inglaterra,do México e da Bélgica. Nos países citados,houve redução média de 33% no tempo de definição em relação às linhas tradicionais traçadas pelo VAR humano. A entidade informou que o tempo médio de checagem dos cinco lances ocorridos na 20ª rodada foi de 47 segundos.
Apesar da automação,a decisão final continua sendo humana. O sistema apenas gera automaticamente a linha de impedimento e fornece a informação ao árbitro de vídeo. A validação permanece sob responsabilidade do VAR,que comunica a decisão ao árbitro de campo.

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