
Do rosto ao corpo: o que explica a nova tendência entre homens nos consultórios de estética — Foto: Magnific
A busca por uma aparência mais equilibrada e natural deixou de ser uma preocupação exclusiva das mulheres. Nos consultórios de medicina estética,cresce a procura de homens por procedimentos que valorizam contornos,proporções e definição corporal sem evidenciar sinais de intervenção.
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O movimento acompanha uma mudança no próprio conceito de estética masculina. Depois de ganhar espaço nos cuidados faciais,a ideia do chamado "quiet luxury",associada a resultados discretos e pouco perceptíveis,também chegou aos tratamentos corporais. A proposta é realçar características já existentes,respeitando o biotipo de cada pessoa e evitando transformações artificiais.
Segundo o dermatologista Flégon David,muitos pacientes chegam buscando justamente esse tipo de resultado. "O paciente quer estar mais definido,mas sem que as pessoas percebam que ele realizou um procedimento estético. Ele busca um resultado que pareça natural,como se fosse consequência apenas do estilo de vida",explica.
Entre os procedimentos procurados está a harmonização corporal com ácido hialurônico,técnica que utiliza o preenchedor em pontos específicos para destacar relevos musculares e melhorar a proporção de determinadas regiões. Áreas como peitoral,braços,abdômen,costas,trapézio,coxas e panturrilhas podem ser avaliadas de acordo com as características de cada paciente.
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O crescimento da estética masculina acompanha uma expansão global do mercado de procedimentos. Entre 2018 e 2024,intervenções não cirúrgicas realizadas em homens,como aplicações de toxina botulínica,ácido hialurônico,bioestimuladores de colágeno e depilação a laser,passaram de 1,5 milhão para 3,2 milhões em todo o mundo,um aumento de 116,6%. Atualmente,eles representam cerca de 15% a 20% dos procedimentos estéticos realizados globalmente.
No Brasil,a procura também segue em alta. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) apontam que o país realizou aproximadamente 2,3 milhões de cirurgias plásticas em 2024,além de cerca de 769 mil procedimentos não cirúrgicos no mesmo período.
Apesar de muitas vezes associada a atletas ou pessoas com rotina intensa de exercícios,a harmonização corporal atende diferentes perfis. Há pacientes que buscam mais definição mesmo sem praticar atividades físicas regularmente,assim como aqueles que já possuem musculatura desenvolvida,mas desejam corrigir pequenas diferenças de proporção.
"O planejamento é totalmente individualizado. Avaliamos o biotipo,as proporções corporais e as características anatômicas de cada paciente para identificar quais regiões podem ser valorizadas. A intenção não é criar um corpo artificial,mas promover equilíbrio,naturalidade e harmonia",destaca o especialista.
O resultado,no entanto,depende de uma avaliação cuidadosa e de conhecimento técnico. A escolha das áreas tratadas,a quantidade de produto utilizada e a compreensão da anatomia são fatores determinantes para que o procedimento mantenha uma aparência compatível com a estrutura corporal de cada pessoa.
Com a popularização dessas técnicas,a segurança também se tornou um ponto de atenção. Flégon David alerta para a importância de verificar a qualificação do profissional e a procedência dos produtos utilizados.
"Infelizmente,ainda encontramos casos de utilização de preenchedores adulterados,principalmente em procedimentos corporais. Por isso,o paciente deve verificar a qualificação do profissional e certificar-se de que os produtos utilizados possuem registro e procedência. A harmonização corporal deve valorizar a individualidade de cada pessoa,nunca transformar completamente sua aparência",conclui.

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