Fabricação de canetas de Ozempic na Novo Nordisk A/S,na Dinamarca — Foto: Carsten Snejbjerg/Bloomberg

Fabricação de canetas de Ozempic na Novo Nordisk A/S,na Dinamarca — Foto: Carsten Snejbjerg/Bloomberg
GERADO EM: 07/04/2026 - 21:36
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É verdade que hoje temos à disposição um tratamento muito eficiente para a perda de peso,e pessoas que lutaram por anos contra a balança,fazendo dietas,programas e diversas estratégias que não se sustentavam agora conseguem emagrecer com mais facilidade e consistência. É o tratamento feito com os análogos de GLP-1,as chamadas “canetas emagrecedoras”. Elas provam que apenas o fato de comer menos,ou seja,reduzir a quantidade,já é o suficiente para emagrecer.
Ao meu redor,percebo que o número de pessoas utilizando esses medicamentos cresce rapidamente,e,de fato,elas estão emagrecendo. Isso traz ganhos importantes. A redução de peso melhora o perfil metabólico,diminui a resistência à insulina,ajuda no controle da glicemia,da pressão arterial e reduz o risco de diversas doenças associadas à obesidade,como diabetes tipo 2,doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer.
Seria,então,a solução completa? É aqui que entra uma reflexão necessária. Esse emagrecimento,quando não vem acompanhado de uma adaptação de estilo de vida,como a inclusão da atividade física,deixa lacunas importantes,justamente porque ele mexe em dois dos mais importantes marcadores de longevidade com autonomia: o VO2 máximo e a força muscular. Esses são preditores de,não apenas de quanto tempo podemos vivemos,mas,principalmente,de como viveremos até o final.
O VO2 máximo está diretamente relacionado à capacidade cardiovascular e à eficiência do organismo em utilizar oxigênio. Já a força muscular está ligada à funcionalidade,à independência e à proteção contra quedas,fragilidade e perda de autonomia.
E é aqui que está o ponto crítico em emagrecer com as canetinhas sem incluir o exercício físico na rotina: apenas usá-las não melhora esses parâmetros. Em muitos casos,pode até piorar a força muscular,já que parte do peso perdido vem da massa magra,não apenas de gordura. Ou seja,a pessoa pode,sim,reduzir riscos metabólicos importantes,mas continuar vulnerável do ponto de vista funcional. Pode viver mais,mas não necessariamente viver melhor.
É fundamental deixar claro: esses medicamentos são,ferramentas poderosas. Quando bem indicados,acompanhados por profissionais de saúde,representam um avanço enorme no tratamento da obesidade. Negar isso seria ignorar a ciência. Mas,também é um erro acreditar que eles sejam suficientes.
Nosso corpo não foi projetado para a inatividade. Ele vem com um “manual de instruções” claro: movimento é essencial. E isso não é opinião,é consenso em toda a área da saúde. Do pediatra ao geriatra,passando por cardiologistas,endocrinologistas e ortopedistas,todos concordam em um ponto: a atividade física regular é indispensável. Não existe substituto para o movimento.
O exercício físico é a única,entendam,a única ferramenta disponível para melhorar o VO2 máximo,preservar e aumentar a massa muscular,fortalecer ossos,além de ser um grande aliado à regulação hormonal e à saúde mental. A cereja do bolo é que ele potencializa,inclusive,os próprios resultados do emagrecimento medicamentoso.
Estamos vivendo uma era com acesso sem precedentes à informação,tecnologia e ferramentas para cuidar da saúde. Temos conhecimento,temos recursos e,agora,temos também medicamentos extremamente eficazes. Mas,nenhuma dessas ferramentas substitui o básico: estilo de vida com movimento físico diário.
Não espere que uma caneta,uma pílula ou qualquer intervenção isolada façam aquilo que só o movimento físico é capaz de fazer por você. Emagrecer é importante. Mas movimentar-se é essencial. E,no longo prazo,é isso que vai definir não apenas quantos anos você vive,mas com quanta autonomia,energia e qualidade chegará lá.

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