O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Montagem de fotos de Brenno Carvalho e Cristiano Mariz/Agência O Globo

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Montagem de fotos de Brenno Carvalho e Cristiano Mariz/Agência O Globo
A seis meses das eleições,os dois principais pré-candidatos à Presidência travam uma corrida pelo apoio de partidos de centro nos estados a fim de turbinar suas campanhas com palanques fortes. Nome mais à direita na disputa ao Palácio do Planalto,o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem leve vantagem e já encaminhou alianças em 18 estados com PP,União Brasil,PSD e Republicanos,segundo levantamento do GLOBO. Enquanto isso,o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem acordos com essas siglas em 16 unidades da federação.
O PL de Flávio,por exemplo,deve compor a mesma aliança da federação União-PP em ao menos nove estados. É o caso do Distrito Federal,onde a sigla indicou apoio à candidatura de Celina Leão (PP) ao governo local. Já na Bahia,o senador deverá dividir palanque com ACM Neto (União),que disputará o Palácio Rio Branco.
Apesar dos apoios locais,o discurso da cúpula da federação é de cautela em relação à uma aliança formal com o candidato do PL na disputa presidencial. Integrantes da legenda dizem que Flávio precisa sinalizar melhor como conduzirá sua campanha. Há uma preocupação que ele acene mais ao lado radical do bolsonarismo.
— Só depende dele (Flávio) — disse o presidente do PP,senador Ciro Nogueira,que foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro. O dirigente partidário declarou que o grupo deve definir a posição até junho.
Enquanto não há uma aliança formal entre o PL e a federação,em ao menos quatro estados candidatos do União e do PP se aproximam de fechar acordos para estarem lado a lado com PT de Lula,como no Amapá,onde o governador Clécio Luis (União) tentará a reeleição. Aliado do presidente do Senado,Davi Alcolumbre (União-AP),ele se filiou à nova sigla no início do ano,após ter sido eleito pelo Solidariedade em 2022.
Na Paraíba,estado do presidente da Câmara,Hugo Motta (Republicanos),o PT ainda não se posicionou,mas o governador Lucas Ribeiro (PP) já declarou que dará palanque a Lula ao longo de sua campanha para permanecer no cargo.
Há casos em que o apoio está indefinido. A federação União-PP em Pernambuco,abriga tanto bolsonaristas quanto nomes mais próximos a Lula. O grupo deve apoiar a governadora Raquel Lyra (PSD),que se aproximou de Lula,mas deve ficar sem o PT em sua chapa. O partido do presidente vai apoiar a candidatura de João Campos (PSB).
O líder do União Brasil na Câmara,Pedro Lucas Fernandes (MA),avalia que,embora haja alianças pontuais com Lula em alguns estados dentro do grupo político,nacionalmente a tendência é se aliar a Flávio.
— Não tem neutralidade,quem não tem lado,não tem vez. Eu acho que vai ser Flávio — afirmou ele.
O cenário é parecido no Republicanos. O partido tem alianças encaminhadas com o PL em seis estados,como em São Paulo,onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disputará a reeleição com o apoio dos Bolsonaros. Em outros três,contudo,a sigla está mais próxima do PT,como em Pernambuco,onde as duas siglas devem compor a chapa de João Campos.
O presidente do Republicanos,Marcos Pereira,disse que a posição do partido em relação à eleição presidencial ainda não foi tomada,o que deve ocorrer apenas mais próximo do início oficial da campanha,em agosto.
— Está indefinido. Temos muito tempo pela frente ainda — afirmou Pereira.
Mas se na federação União-PP e no Republicanos Flávio leva vantagem,o cenário é diferente no PSD,que tem privilegiado alianças com o PT de Lula nos estados. O partido,que apresentou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como pré-candidato ao Planalto,estará ao lado do petista em ao menos nove unidades da federação,como Rio e Mato Grosso.
Até agora são somente três estados que terão PSD e PL do mesmo lado. Há casos em que a aliança pode ser firmada,como em Minas Gerais,mas ainda não há definição. Em outros dez estados,o PSD não compõe nem com o PT e nem com o PL.
Caiado,por sua vez,tem sofrido dificuldade para conseguir o apoio de candidatos da sigla fora de Goiás,seu estado. Ele tem acordos avançados no Paraná e Santa Catarina,mas deverá dividir os palanques com Flávio.
O deputado Jilmar Tatto (SP),vice-presidente nacional do PT,diz que o governo trabalha com a expectativa de que os partidos de centro,com exceção do PSD,que já apresentou candidatura,liberem os diretórios locais para apoiarem quem quiser e não fechem aliança formal na disputa nacional.
— MDB e PSD não vão apoiar Flávio oficialmente. E a confusão é tão grande dentro do União e dentro do PP que não sei vão conseguir apoiar o Flávio. A tendência do Centrão é liberar — avalia Tatto.

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