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Sede do BRB,em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/O Globo
GERADO EM: 23/04/2026 - 17:59
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Uma auditoria contratada pelo BRB identificou um salto de 33 mil vezes na participação acionária de pessoas ligadas ao Banco Master no período em que a instituição estatal promoveu um aumento de capital próprio e em que as duas corporações negociavam uma aquisição. O levantamento aponta que essa participação,que era de 0,0007% no início de 2024,passou para 23,5% do capital social do banco estatal no fim de 2025.
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A informação consta de ação apresentada pelo BRB em que pede o bloqueio de bens de fundos e pessoas envolvidas no aumento de capital. Segundo sustenta o banco,esse processo teria resultado na entrada de Daniel Vorcaro,dono do Master,e outros investigados pela Polícia Federal como acionistas do banco estatal.
Procurada,as defesas de Vorcaro e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa disseram que não vão se manifestar. O ex-chefe do BRB sempre negou irregularidades e já afirmou a interlocutores que é alvo de perseguição por parte da atual administração do BRB e que há documentos que comprovariam uma atuação para reforçar a capacidade do banco se expandir,conforme seu planejamento estratégico,e não para socorrer o Master e/ou Vorcaro.
O Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado,após a autoridade monetária identificar falhas na gestão. A PF investiga suspeita de fraude financeira,com a utilização de títulos de crédito sem lastro e práticas de lavagem de dinheiro. A apuração aponta que o BRB tenha forçado a compra de créditos podres do Master,que chegaram a R$ 12 bilhões.
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Na ação,o BRB afirma que os principais investigados pela PF passaram a integrar o capital social do banco “por meio de estruturas pulverizadas e fundos de investimentos" e aponta o uso de "laranjas" para dificultar que órgãos de fiscalização chegassem aos reais acionistas.
“O aumento na participação acionária dos agentes envolvidos com o ecossistema Master/Reag deu-se com nítidos indícios de fraude. Esses agentes utilizaram-se de estruturas pulverizadas e pessoas interpostas ou laranjas para dificultar a rastreabilidade perante os entre regulares e atender – apenas sob o ponto de vista formal – as regras impostas pelos ACPs [Aumento de Capital Próprio]”,diz petição.
Procurada,a Reag não comentou. O BRB diz que "mantém o compromisso com a transparência e com a adequada prestação de informações ao mercado".
O banco cita ainda que no mesmo período em que houve aumento societário,o banco estatal também elevou o volume de operações de crédito com o Master,em decisões tomadas em intervalos curtos (por vezes no mesmo dia) e com pouco tempo entre aprovação e conclusão das operações.
Conforme auditoria,entre julho de 2024 e outubro de 2025,o BRB adquiriu R$ 26,6 bilhões em carteiras de crédito do conglomerado do Master. O banco afirma que foram identificadas "falhas graves e indícios relevantes de irregularidades" em porções significativas dessas operações. “Frise-se que essa contratação de carteiras de créditos de forma açodada e sucessiva,feita pela administração anterior do BRB,não era comum,tampouco recomendada,ante a ausência da devida análise dos créditos adquiridos”,diz trecho da ação,que tramita na Justiça Federal do Distrito Federal.
O banco remete a responsabilidade à gestão anterior do BRB,comandada à época por Paulo Henrique Costa. O ex-dirigente da estatal foi preso na semana passada,após a PF apontar suspeita de que ele receberia R$ 146 milhões em imóveis de Vorcaro com o objetivo de facilitar a negociação entre os bancos.
O documento elaborado pelas advogadas do BRB ressaltou que os dois movimentos,de aumentar a participação societária e as operações de crédito,foram orquestrados. Apurações internas identificaram que se tratava dos chamados “créditos podres”,sem lastro.
“Os créditos do Banco Master cedidos ao BRB sofreram deterioração acentuada,tornando necessária a adoção de medidas de substituição de carteiras e captação de recursos pelo BRB. A captação de recursos através das ACPs permitiu o aumento da participação societária pelos agentes relacionados ao ecossistema Master/Reag,de forma fraudulenta”,diz.
Conforme a ação,dos R$ 12 bilhões identificados de carteiras de créditos podres,houve substituição de R$ 10 bilhões,mas por créditos também duvidosos e que ainda estão sendo apurados.
Na última segunda-feira,o BRB divulgou fato relevante informando ter celebrado um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para vender parte de ativos que eram do Master. De acordo com o banco estatal,a operação possui valor de referência de R$ 15 bilhões.
O acordo prevê uma primeira parcela à vista de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões,o valor remanescente,estimado entre entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões,será vendido por meio de cotas de fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos. Além disso,uma assembleia com os acionistas do BRB aprovou o aumento de capital da instituição em até R$ 8,8 bilhões

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