
O governo dos Estados Unidos se opõe ao leilão de mais de 100 artefatos do Titanic promovido pela RMS Titanic Inc — Foto: Reprodução
GERADO EM: 23/06/2026 - 12:02
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O governo dos Estados Unidos entrou na Justiça para tentar impedir que a RMS Titanic Inc. realize o leilão de mais de 100 artefatos recuperados dos destroços do Titanic,em uma disputa que reacende o debate sobre a preservação de um dos naufrágios mais emblemáticos da história. Documentos judiciais divulgados nesta semana mostram o embate entre a empresa,responsável pelas operações de resgate desde a década de 1980,e as autoridades federais americanas.
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No centro da controvérsia está um acordo firmado nos anos 1990 que concedeu à RMS Titanic direitos exclusivos de salvamento do navio em troca do compromisso de não vender os objetos retirados do fundo do Atlântico Norte. Agora,a companhia pretende leiloar parte do acervo e exibir os itens em uma turnê internacional por quatro cidades ainda não reveladas.
A coleção reúne aproximadamente 5 mil artefatos recuperados desde 1987,incluindo pertences pessoais de passageiros,moedas,utensílios de cozinha,objetos decorativos e fragmentos do casco da embarcação. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA),responsável por representar os interesses do país na área do naufrágio,sustenta que a venda violaria os compromissos assumidos pela empresa perante a Justiça.
Segundo a agência Associated Press (AP),o governo argumenta que a RMS Titanic considera não precisar de autorização judicial para comercializar os itens. Em resposta,os advogados da companhia afirmaram em petições anteriores que o plano não infringe acordos ou decisões judiciais vigentes.
A disputa também ganhou dimensão internacional. Parte dos primeiros artefatos foi levada para a França,que reconheceu a propriedade das peças ao grupo responsável pelo resgate. A NOAA defende que todo o conjunto deve permanecer unido e argumenta que as condições estabelecidas pela Justiça francesa também impedem a venda individual dos objetos. Já a RMS Titanic sustenta que os tribunais americanos não têm jurisdição sobre os artefatos cuja posse foi reconhecida em território francês.
O debate ocorre em meio ao crescente interesse de colecionadores por itens ligados ao Titanic. Em abril,um colete salva-vidas utilizado por um sobrevivente foi vendido por US$ 906 mil. No ano passado,um relógio de bolso de ouro pertencente ao empresário Isidor Straus,passageiro da primeira classe e coproprietário da rede Macy's,alcançou mais de US$ 2 milhões em leilão.
Especialistas,porém,criticam a possibilidade de comercialização das peças resgatadas diretamente dos destroços. À AP,o explorador oceânico Greg Stone afirmou que não se opõe à recuperação dos artefatos,desde que ela ocorra com rigor arqueológico,mas disse que preferiria ver o trabalho conduzido por iniciativas sem fins lucrativos. Já Richard Daynard,professor da Northeastern University School of Law,declarou à CBS News que as restrições existem para preservar o patrimônio histórico e evitar que os objetos sejam transformados em símbolos de ostentação privada.
— Se alguém pode andar pela casa e dizer: "Sim,paguei 5 milhões de dólares por isso e é uma peça original do Titanic",isso não está certo — afirmou Daynard.
O Titanic afundou em abril de 1912 após colidir com um iceberg durante sua viagem inaugural entre a Europa e Nova York. Mais de 1.500 das cerca de 2.200 pessoas a bordo morreram na tragédia.

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