
Herik Ferreira Soares aparece em vídeo após ser capturado por forças russas na Ucrânia; brasileiro afirma que foi enviado à linha de frente após falsa promessa de trabalho — Foto: Reprodução
GERADO EM: 25/06/2026 - 11:09
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O número de brasileiros desaparecidos na guerra da Ucrânia mais que dobrou em seis meses,segundo dados atualizados informados pelo Ministério das Relações Exteriores ao GLOBO. O novo balanço aponta 86 nacionais desaparecidos,ante 41 registrados anteriormente,além de 33 mortes confirmadas,frente às 16 contabilizadas no levantamento anterior. A atualização ocorre em meio ao caso do paraense Herik Ferreira Soares,de 23 anos,capturado por forças militares russas após,segundo seu próprio relato,ter sido enganado por uma promessa de trabalho.
Vídeo: Brasileiro é capturado por forças russas na Ucrânia e relata ter sido enganado por promessa de trabalho; 'Mãe,me perdoa por não ter escutado’Itamaraty confirma captura de brasileiro de 23 anos por forças russas na Ucrânia; veja vídeo
Herik,natural de Castanhal,no Pará,teve o caso revelado após a divulgação de um vídeo em que aparece chorando e relata que viajou para a Ucrânia acreditando que trabalharia em uma função de apoio,distante das áreas de combate. Segundo ele,no entanto,acabou sendo enviado para a linha de frente,em desacordo com o que havia sido prometido.
— Eles mentiram para mim e me enviaram para a linha de frente,para um confronto intenso. Não era isso que tinham prometido. Meu serviço não era de combatente. — afirma.


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Mulher andando de bicicleta em meio a destroços após bombardeio na vila Novopavlivka,na Ucrânia — Foto: Roman PILIPEY / AFP


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Bombeiros apagando incêndio em prédio após ser atingido por míssil,em Poltava,na Ucrânia — Foto: Sergey Bobok / AFP
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Mulher limpando destroços de prédio após ataque de míssil em Izyum,na região de Kharkiv na Ucrânia — Foto: Roman Pilipey / AFP

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Homem filma escombros de um shopping em Kharkiv,na Ucrânia,após ataque de drone — Foto: SERGEY BOBOK / AFP
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Moradores de Poltava,limpando escombros de prédio após ser atingido por míssil — Foto: Sergey Bobok / AFP

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Militar ucraniano em meio aos destroços de prédio,após ataque de míssil em Izyum,na Ucrânia — Foto: Roman PILIPEY / AFP
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Equipes de resgate trabalham em escombros de prédio atingido por míssil russo em Poltava,na Ucrânia — Foto: SERGEY BOBOK / AFP
Imagens mostram escombros das cidades ucranianas após recentes ataques da Rússia
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Ao GLOBO,o Itamaraty confirmou que acompanha o caso e informou que,por meio da Embaixada do Brasil em Moscou,mantém contato com a família do brasileiro e presta assistência consular. A representação diplomática também está em contato com as autoridades russas em busca de informações adicionais sobre sua situação.
No vídeo,Herik relata arrependimento pela decisão de participar do conflito e afirma que a experiência o fez mudar de opinião sobre o recrutamento de estrangeiros. Segundo ele,latino-americanos,incluindo brasileiros,colombianos,peruanos e argentinos,acabam sendo utilizados como força de combate e tratados como “descartáveis” na guerra.
Em um dos trechos mais emocionantes da gravação,o paraense envia uma mensagem à mãe e pede perdão por não ter seguido os conselhos da família. Ele também faz um alerta para que outros brasileiros não aceitem propostas semelhantes.
— Me perdoa por não ter escutado o que a senhora disse e por ter voltado para esse inferno. Pense bem antes de vir para cá e perder algo muito maior,que é a sua família. Não compensa vir atrás de dinheiro sujo,um dinheiro que não vale a pena. Não deixe a segurança da sua família para participar de uma guerra que não é sua. — diz.
O caso reforça os alertas emitidos pelo governo brasileiro sobre o recrutamento de cidadãos para atuar em conflitos armados no exterior. O Ministério das Relações Exteriores recomenda que brasileiros recusem ofertas de trabalho ou convites para integrar forças estrangeiras e destaca que pessoas alistadas podem enfrentar dificuldades para deixar os combates. Segundo a pasta,a assistência consular nesses casos pode ser limitada pelas obrigações assumidas no momento do recrutamento.
Em nota,o Itamaraty afirmou que a atuação consular em situações envolvendo brasileiros engajados em forças armadas de terceiros países possui especificidades inerentes às circunstâncias do conflito e às obrigações contraídas no ato do alistamento. Por razões de privacidade,o ministério não divulga detalhes sobre a assistência prestada aos cidadãos atendidos.

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