
Teo Figueiredo,CEO da Magnum Ice Cream Company no Brasil,quer aumentar o consumo de sorvetes no país,que é de 3 litros por habitante por ano. — Foto: Edilson Dantas
GERADO EM: 29/06/2026 - 00:25
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Apesar do clima tropical,o Brasil consome pouco sorvete. A média anual é de três litros por habitante,bem abaixo dos 16 dos EUA. Esse é um dos dados que Teo Figueiredo cita para defender que é possível vender mais sorvete no Brasil,fazendo dele não só a sobremesa do almoço de domingo,mas um snack do dia a dia.
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CEO da operação brasileira da companhia criada a partir da cisão do negócio de sorvetes da Unilever,batizada de The Magnum Ice Cream Company,o executivo diz ao GLOBO que o país é um dos mercados prioritários para o crescimento do novo negócio.

Teo Figueiredo,dona de marcas de industrializados como Magnum,Fruttare e Cornetto — Foto: Edilson Dantas
Além dos picolés recheados Magnum,a empresa tem marcas como Kibon,Ben & Jerry’s e Cornetto,e investe para expandir seu portfólio e sua distribuição no país. O plano,diz,é popularizar essa categoria de alimentos industrializados em meio a desafios como pressão inflacionária,novos hábitos alimentares e a concorrência das gelaterias premium.
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O que mudou na operação desde a saída da Unilever,em 2025?
A empresa já nasce faturando € 7,9 bilhões (R$ 46 bilhões) no ano,como a maior de sorvetes do mundo. Não somos mais uma dentre várias categorias de produtos (na Unilever). Na hora de investir,disputávamos com outras na empresa. Todo o investimento agora é em sorvete.
Em 2025,ainda nem tínhamos completado a separação,fizemos o maior investimento em freezers (para pontos de venda) dos últimos dez anos,com 17 mil unidades. Historicamente,comprávamos uma fração disso. Muda muito o jogo. Preciso estar presente para que a pessoa se lembre de comprar.
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Qual é a importância do Brasil para a companhia?
É uma das nossas grandes oportunidades de crescimento,globalmente. Somos um país populoso,temos uma economia forte e ainda consumimos pouco sorvete versus a média global. Só 50% da população brasileira tomam sorvete uma vez ao ano,e o consumo per capita é muito baixo,de cerca de 3 litros por ano,enquanto são 16 nos EUA. Por isso,o Brasil é uma das grandes avenidas de crescimento.

Teo Figueiredo,avalia que picolés de frutas podem ser vistos como sobremesas de baixa caloria — Foto: Edilson Dantas
Como ampliar esse mercado?
São dois caminhos. Um é disponibilidade física,com mais pontos de venda e portfólio maior. Trabalhamos hoje no Brasil com 53 itens,enquanto nos EUA são 350. Precisamos de um cardápio mais completo,que atenda mais perfis de preço. Outro é a disponibilidade mental.
No Brasil,as pessoas ainda não escolhem o sorvete como um snack. É visto como uma sobremesa de domingo à tarde ou que você escolhe por acaso ao ver a geladeira na padaria ou no mercado. Precisamos desenvolver esse hábito no brasileiro.
Até quando pensamos sob a uma lógica de eficiência calórica,muito em alta hoje,um Frutare (picolé de fruta da Kibon) tem 54 calorias. Comparado com qualquer outro snack,é bem mais baixo.


O que estão prevendo especificamente para o Brasil?
Tínhamos média de quatro a cinco lançamentos por ano,e,nos últimos dois anos,foram mais de dez. Olhamos muito o que é mais relevante culturalmente. Por isso,relançamos recentemente o Guaraná no Palito,com o Guaraná Antarctica,um refrigerante brasileiro,que tem o mote “é coisa nossa” e ativação muito forte durante a Copa.
É uma forma de nos conectarmos com as pessoas e não forçar que a conversa fique só no sorvete,não fica natural. É um caminho importante para gerar relevância e aumentar o consumo.
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Há no país novas sorveterias,mais sofisticadas,indicando que o paladar do brasileiro mudou. Como essa nova concorrência afeta o negócio?
Nosso maior desafio continua sendo fazer crescer essa torta. É lógico que observamos os movimentos,mas mais importante é a oportunidade de o mercado se desenvolver. Temos 11 mil fabricantes no país,todos pulverizados. São poucos os nacionais como nós. Quero mais gente falando de sorvete porque tenho mais chance de vender e de o sorvete estar na lembrança das pessoas.
Posto isso,vemos um movimento para as duas pontas,tanto para o sorvete mais premium quanto para um mais barato. Temos oportunidade de trabalhar em ambas. Sabemos fazer sorvete mais complexo e mais simples,à base de água,e conseguimos ter preço de desembolso mais baixo. Navegamos tanto em preço quanto em qualidade.

Teo Figueiredo,conversa com O GLOBO na sede da empresa,em São Paulo — Foto: Edilson Dantas
O sorvete industrializado era visto como acessível. Hoje,um picolé Magnum tem quase o mesmo preço de marcas ‘premium’. Sorvete deixou de ser uma indulgência barata?
O sorvete ficou mais caro,não dá para ir contra os fatos. É algo que olhamos com muito cuidado porque pode limitar o acesso à categoria. É o ovo e a galinha: tomamos pouco sorvete porque é caro ou é caro porque tomamos pouco?
A ampliação do nosso portfólio de bombons vai um pouco nessa linha,porque é um produto compartilhável. Reduzimos o preço,por exemplo,do Frutili para atingir um público que não estava comprando.
Como a preocupação crescente dos consumidores com saúde e alimentação impacta o setor?
A quantidade de calorias de um sorvete é menor que a mesma quantidade de chocolate. Como costumamos dizer,o sorvete é a salada dos snacks. Ainda mais os de frutas.
Em mercados como o americano,onde o movimento de canetas emagrecedoras está mais penetrado,vemos a tendência de produtos premium em porções menores. Há espaço para trazermos isso para o Brasil,é um caminho. Estamos avaliando esse território de saudabilidade,e é uma das prioridades de evolução do nosso portfólio.


Com mais usuários de canetas emagrecedoras,há espaço para o mercado de sorvete crescer?
As pessoas vão continuar buscando indulgência. É natural do ser humano. O ponto é de que tipo. Como entregamos isso de forma mais saudável? Consumidores preocupados com saudabilidade gastam mais com alimentação,é um fato. Basta olharmos a quantidade de iogurtes proteicos que estão por aí e os preços deles.
As pessoas buscam soluções mais premium quando vão para esse território,ficam mais dispostas a pagar mais. O sorvete já é essa solução.

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