CULTURA Jul 9, 2026 IDOPRESS

Blindagem eleitoral e cópias dubladas: os planos da distribuidora de ‘Dark Horse’

O filme sobre Jair Bolsonaro,'Dark horse',foi financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução

Responsável pela distribuição de “Dark Horse”,a Europa Filmes planeja um lançamento de grande porte para a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro,em pelo menos 650 salas – no patamar do fenômeno de bilheteria “Tropa de Elite 2” – e com 99% de cópias dubladas espalhadas por todo o país. Em uma tentativa de evitar os riscos de uma intervenção da Justiça Eleitoral,a empresa já bateu o martelo: só lançará o longa-metragem depois das eleições presidenciais,a partir de novembro.

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“Eu acho uma grande cagada isso [lançar durante as eleições]. Qualquer pessoa,de qualquer lado que esteja,vai achar imoral. O meu acordo com a produtora [a Go Up Entertainment,que nunca lançou filme nos cinemas brasileiros] é que eu não lançaria antes das eleições”,afirma ao blog o diretor-geral da Europa Filmes,Wilson Feitosa,que tem no currículo o lançamento de produções nacionais como “O menino maluquinho” e “Lula,o filho do Brasil” e sucessos americanos,como o terror “A bruxa de Blair”.

“Não tem data ainda [de estreia de ‘Dark Horse’],com certeza não será antes de novembro,mas ainda será neste ano,independentemente de quem ganhar [as eleições]. Ninguém vai estar disputando nada,ninguém vai estar usando essa obra de arte como meio de divulgação política. Isso aconteceria se fosse lançado antes [das eleições].”

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“Dark Horse” está cercado de polêmica por conta do suposto financiamento de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro,articulado pelo pré-candidato do PL à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (RJ),conforme revelaram mensagens obtidas pelo Intercept Brasil que provocaram uma das maiores crises na pré-campanha do filho 01 de Jair Bolsonaro.

Três cenários

Em meio à polarização política que pode invadir os cinemas,o diretor-geral da Europa Filmes traça três cenários possíveis para a performance comercial de “Dark Horse”. O filme tem apenas 90 minutos de duração,o que permitirá um maior número de sessões diárias nos cinemas.

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Na pessimista,o filme sobre Bolsonaro repete o fraco desempenho de “Lula,o Filho do Brasil” e atrai 800 mil espectadores. Na realista,faz entre 1,5 milhão e 2 milhões de espectadores. Na otimista,supera os 2 milhões – um patamar alcançado por poucos filmes nacionais lançados no pós-pandemia,especialmente os voltados para o público adulto.

Para efeito de comparação,“O agente secreto” atraiu 2,4 milhões de espectadores ao longo de quatro meses em cartaz,turbinado pelo mar de premiações e as quatro indicações ao Oscar – algo que “Dark Horse” não deve ter a seu favor,como admite o próprio Feitosa.

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“Não é filme que vai ser indicado para o Oscar,não vai concorrer para indicação,mas tem esse selo hollywoodiano de qualidade”,afirma.

Conforme informou o colunista Lauro Jardim,do GLOBO,as grandes redes de cinema querem distância de “Dark Horse”,por temerem que a cinebiografia seja um fiasco de bilheteria,além de acirrar os ânimos entre bolsonaristas e lulistas,com riscos de confusão e protestos em shoppings de todo o país.

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“Vou ter de conversar com todos eles,não acho que eles estão 100% errados,é possível que tenha reações de tudo que é lado”,admite Feitosa.

Fator Flávio

Segundo Feitosa,“Dark Horse” não é uma peça de propaganda bolsonarista,ainda que o trailer disponibilizado indique um tom de thriller político,ambientado durante as eleições presidenciais de 2018,com destaque para o episódio da facada em Juiz de Fora (MG).

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Na versão americana do trailer,Bolsonaro é chamado de “voz do povo” que “enfrentou o sistema”,“sistema que falhou em silenciá-lo”. A maior parte das cenas envolve a recriação do episódio da facada que o então candidato do PL à Presidência sofreu em 6 de setembro de 2018 e a sua recuperação médica.

A Europa Filmes pretende disponibilizar em dois meses uma versão brasileira do trailer,que seria veiculado nos cinemas já no período eleitoral. “Quero que seja um filme humano,tem de ser sensível,emocionante. Ele não pode ter esse cunho político que possam dar”,avalia Feitosa,sem antecipar detalhes.

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“O filme conta uma história que poderia ser de qualquer outra pessoa,mas é um ex-presidente e acabou criando essa polêmica toda. Pra mim,é um filme comum. Qualquer ação [judicial] que vier em cima do filme é de quem o fez,de quem criou. O meu trabalho é apenas distribuir.”

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já suspendeu o lançamento de um filme sobre Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais – no caso o documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”,da produtora de vídeos de direita Brasil Paralelo,que seria exibido às vésperas do segundo turno.

Feitosa diz que não foi procurado e que nem pretende procurar a campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República para discutir a estratégia de lançamento – e avisa que se o filho 01 de Bolsonaro quiser promover o filme,o fará por conta própria.

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“Eu quero que o filme esteja bem longe de toda essa polêmica,que seja vendido como um filme humano,que seja emocionante. Se,depois de lançado,ele vai dar bônus para alguém politicamente,tô cagando. Não tô nem aí”,afirma.

Mesmo assim,ele admite que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro pode impulsionar a carreira comercial de “Dark Horse”. "Se o Flávio ganhar,eles vão entrar com tudo na campanha de promoção do filme,já que o filme vai ser lançado depois das eleições",prevê.

Rótulo

Questionado sobre suas preferências políticas,Feitosa rejeita o rótulo de “bolsonarista”. “Não sou bolsonarista,lancei o filme do Lula. Não sou partidário,juro por Deus. Não sei em quem vou votar”,afirma. Mas ele lembra em quem já votou: em 2018,diz ter escolhido Bolsonaro e em 2014,Dilma Rousseff (PT).

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“Nunca fui nem uma coisa nem outra,nem esquerda nem direita. Não gosto de comunismo. Todo mundo faz merda e não sou obrigado a concordar com um ou a discordar de outro”,diz.

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