
As capas dos livros 'As regras','Saudade do que nunca fomos' e 'Liberadores da América',que exploram o mundo do futebol — Foto: Divulgação
A Copa do Mundo não mexeu só com o coração do torcedor brasileiro,que ainda tenta se recuperar a vergonhosa derrota da seleção canarinho pelos bárbaros noruegueses. O mercado editorial também andou obcecado por futebol. Tanto que na lista de 50 destaques literários deste primeiro semestre de 2026 elaborada pelo GLOBO não faltam livros sobre o esporte que,como bem notou Nelson Rodrigues,nos deu a expressão mais bem-acabada da brasilidade.
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Inclusive,um dos grandes lançamentos do período foi “As Copas de Nelson Rodrigues”,box que recupera,em três volumes,150 colunas do camisa 10 da crônica brasileira (142 delas inéditas em livro e publicadas originalmente no GLOBO).
O ludopédio se esgueirou pelos mais diversos gêneros literários. É o fio condutor do romance “As regras”,de Lilian Sais,no qual a narradora enlutada revisita a relação com pai por meio de memórias relacionadas ao esporte,da orgulhosa campanha do tetra,em 1994,à Copa do Catar,em 2022. E é o tema de “Futebol lado B”,bem-humorado almanaque do jornalista Ariel Palacios que enfileira curiosidades sobre o esporte mais popular do planeta (sabia que Shakespeare já falava do esporte “bretão” em “Rei Lear”,250 anos antes da oficialização do jogo?).
Confira abaixo livros sobre futebol entre os 50 destaques literários do primeiro semestre:
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Autor: Nelson Rodrigues. Editora: Nova Fronteira. Organização: Caco Coelho. Páginas: 632. Preço: R$ 199,00.
Dividido em três volumes,o box recupera 150 colunas do camisa 10 da crônica brasileira (142 delas inéditas em livro) publicadas entre as Copas de 1958 e 1970. Desse montante,120 foram publicadas no GLOBO e agora saem em livro com as ilustrações originais de Marcelo Monteiro,funcionário mais antigo do jornal,que segue na prancheta,aos 91 anos. Com sua verve inigualável,o “anjo pornográfico” comentava jogos,exaltava o futebol-arte como expressão mais bem-acabada da nacionalidade e combatia ferozmente “o velho e sinistro derrotismo brasileiro” (outra manifestação do que ele chamou de “complexo de vira-lata”).
Autora: Lilian Sais. Editora: DBA. Páginas: 144. Preço: R$ 76,90.
“Estou perdendo algo e não sei o que é”,diz a narradora deste romance que encerra a “tetralogia da perda” à qual a autora se dedicou após a morte do pai. Entrelaçando luto,memória e futebol,Lilian Sais revisita a relação com o pai por meio de lembranças relacionadas ao esporte,em 2022. Movendo-se entre o ensaio,a poesia e a autoficção,“As regras” investiga as lacunas da memória e questiona se é possível rever as regras do jogo quando quem nos dava assistência e vibrava com nossos gols já partiu.
Autor: Agustín Lucas. Editora: Cambalache. Tradução: Luís Reyes Gil. Páginas: 80. Preço: R$ 62,00.
Longe dos grandes estádios e do estrelato,este romance (escrito por um ex-zagueiro uruguaio) acompanha a trajetória de um jogador de futebol que percorre clubes e países em busca de um novo contrato. Da segunda divisão da Guatemala a sucessivos recomeços,a narrativa revela a rotina precária de quem vive entre promessas frustradas,dirigentes oportunistas,companheiros improváveis e deslocamentos constantes. Com humor melancólico e atenção aos detalhes do cotidiano,o livro retrata a errância,a solidão e os pequenos gestos que mantêm viva a esperança.
Autor: Ariel Palacios. Editora: Globo Livros. Páginas: 312. Preço: R$ 74,90.
Neste bem-humorado almanaque,o jornalista “hermano” enfileira curiosidades sobre o esporte mais popular do planeta. Conta que Lamartine Babo compôs os hinos dos quatro grandes clubes cariocas (e também de times menos populares da cidade,como Bangu e Madureira),apresenta um estádio na Eslováquia onde os jogos são interrompidos quando um trem cruza os gramados e argumenta que Shakespeare,que viveu e compôs sua obra três séculos antes da invenção do ludopédio,fala de futebol em “Rei Lear”.
Autor: Alejandro Droznes. Editora: Pinard. Páginas: 256. Preço: R$ 99,90.
Para o autor argentino,a Copa Libertadores da América não passa de um pretexto para explorar a geografia,a memória e a identidade de diferentes cantos do continente. Conduzido pelo torneio,o cronista-viajante perambula por dez cidades,como São Paulo,Caracas e Assunção,e bate papo com jornalistas esportivos,torcedores e dirigentes de clubes. Enquanto desbrava cada localidade,ele se esforça para encontrar os rastros daqueles que deram nome ao campeonato (de San Martín a Simón Bolívar) e entender por que nosso passado insiste em se esgueirar no presente.
Autor: Fabio Luis Barbosa dos Santos. Editora: Elefante. Páginas: 150. Preço: R$ 66,00
Em vez de separar futebol e política,como reza o ditado popular,o autor mostra como a história do esporte acompanha as transformações econômicas,sociais e culturais do Brasil,país onde o jogo inventado por operários britânicos ganhou estatuto de arte. Ao discutir temas como mercantilização do esporte,comércio internacional de jogadores,globalização e perda de identidade do futebol brasileiro,o livro propõe uma reflexão sobre por que o jogo mudou — e por que sua reinvenção depende também das mudanças fora de campo.

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