
São Paulo (SP),Canditados durante o 1° Debate entre candidatos a Presidência da República as dependências da TV BAND. Foto: Maria Isabel Pimenta — Foto: Maria Isabel Oliveira
Lula e Flávio Bolsonaro devem ter respirado aliviados ao fim do debate da Band,realizado em pool com outros veículos. O nível da discussão foi tão pobre que o eleitor de ambos teve razões de sobra para trocar uma decepção com a ausência dos favoritos por uma solidariedade com sua decisão.
O desafio de Ronaldo Caiado,Renan Santos e Augusto Cury era se tornarem conhecidos para,no decorrer da campanha,quem sabe,despontarem como uma terceira via possível diante da polarização bastante consolidada. Nesse sentido,falharam miseravelmente.
O show de Renan para a machosfera,as pílulas de autoajuda lançadas por Cury e uma mal ajambrada coletânea de realizações de seu governo em Goiás produzida por Caiado não chegaram,em nenhum momento,a configurar um debate de fato,em que os candidatos —a presidente da República! — formulassem propostas viáveis para problemas concretos do país e dos eleitores.
As medidas extremas metralhadas por Renan entre uma ofensa de boteco e outra a Lula,Flávio e,de forma bastante gratuita,à primeira-dama Janja da Silva são todas inviáveis à luz da Constituição,e ele não falou em nenhum momento como pretende lidar com o Congresso para aprová-las.
Caiado não conseguiu se distinguir de dois oponentes alheios à política e fazer da experiência que tem um trunfo capaz de conquistar os eleitores independentes,que oscilam entre os favoritos ausentes,ou os indecisos.
É lamentável que os favoritos fujam do confronto de ideias faltando menos de dois meses da eleição. Ainda mais diante de uma lista importante de esqueletos nos armários de ambos,como o escândalo Dark Horse do filho de Bolsonaro e as traficâncias de Lulinha,filho do presidente.
Vai ficar para em cima da hora do voto,no debate da Globo,o único momento de tête-à-tête entre Lula e Flávio,o que é um desserviço para o eleitor.
Dito isso,há que se alterar as regras dos debates de forma que candidatos a lacradores não capturem a discussão,como aconteceu com Pablo Marçal em 2024 e de novo ontem.
Esse tipo de comportamento de circo acaba por dar aos fujões uma justificativa com a qual o eleitor comum,que não está interessado em espetáculo,é capaz de se identificar.
Diante do que se viu — dois favoritos que não se dignam a debater,e um outro conjunto de candidatos fracos e sem propostas consistentes—,não admira que a disputa de 2026 esteja baseada,mais do que nunca,numa batalha de rejeições.

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