
Wilson Grassi,Augusto Cury,Renan Santos e Cleitinho Azevedo — Foto: Reprodução e Agência O GLOBO
Em seus planos de governo,candidatos à Presidência e governos de estado apresentaram um conjunto de propostas pouco convencionais nos campos da segurança pública,saúde,diplomacia e Judiciário. As medidas apresentadas vão desde o programa “Meu Botox,Minha Vida”,um sistema de transmissão em tempo real do trabalho do governador,passando pela criação de uma bomba atômica.
Wilson Grassi,candidato à Presidência pelo Democrata,promete o projeto “Meu Botox Minha Vida”,em que o procedimento estético seria oferecido de forma gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Em publicações nas redes,o candidato garante que a proposta é séria e que a iniciativa daria uma “injeção de auto estima” nas mulheres brasileiras.
— É o que eu acho que tem de melhor para o empoderamento feminino. Não tem nada mais do que a beleza que levanta a auto estima de uma mulher. E uma mulher com auto estima alta vai bem no trabalho,vai bem na relação,se livra de uma situação ruim. E porque uma madame pode estar bonitona e bem tratada e a empregada dela não pode? — diz o candidato em vídeo.
Ele,contudo,não detalha quanto custaria o programa e nem como se daria a seleção de quem poderia receber as aplicações.
Para tentar conquistar votos do eleitorado,o veterinário também propõe a extinção de todos os estados,e que seja transferida a administração das 27 unidades da federação para o presidente da República. Uma mudança como essa,alterando a Constituição,precisaria passar pelo Congresso.
Na área da segurança,ele ainda propõe um plebiscito para adotar um modelo presidiário inspirado no que foi adotado em El Salvador desde 2023,o que também requer mudança constitucional,uma vez que o modelo salvadorenho ignora preceitos da Carta brasileira.
“Levamos a pergunta ao eleitor por plebiscito e governamos conforme a resposta. Se o país disser não,não haverá tentativa de conseguir o mesmo resultado por via oblíqua. Se disser sim,o governo executa com mandato explícito,e ninguém poderá alegar surpresa depois”,detalha o documento de plano de governo.
O presidenciável do Missão,Renan Santos,tem defendido durante a sua campanha a criação de uma bomba nuclear como bandeira. A medida,segundo o candidato,é para garantir a segurança nacional diante da possível ameaça de outros países com armas nucleares.
A proposta,declarada em entrevistas à imprensa,não está explícita no plano de governo registrado no TSE.
O documento contém uma “proposta de nuclearização brasileira” em que a ideia seria alcançar “autonomia completa do ciclo de combustível nuclear,incluindo capacidade de reprocessamento,convertendo-a em ativo estratégico de deterrência e garantia irrestrita da soberania nacional.”
Em seu plano de governo para Presidência,o candidato do Avante,propõe uma filosofia de “diplomacia do varejo”,implantada pelo programa “Projeto Embaixadas Empreendedoras (PEE)”.
Segundo o documento registrado no TSE,a ideia central é treinar imigrantes brasileiras que já trabalham no exterior em redes de varejo,feiras e supermercados em técnicas de venda e storytelling. Elas atuariam como promotoras informais para negociar a inserção de marcas brasileiras diretamente nas prateleiras locais.
Por isso,os principais alvos do programa seriam brasileiras que trabalham em pontos de venda,como supermercados,redes de varejo e mercados locais. A capacitação destas habilidades diplomáticas seriam feitas por programas das embaixadas brasileiras.
“Essas mulheres deixarão de ser invisíveis no sistema econômico internacional para se tornarem pontes vivas entre o Brasil e o mundo”,escreve o programa de governo do presidenciável.
O candidato do partido Missão para o governo de Santa Catarina,Marcelo Brigadeiro,propõe a implantação de um sistema chamado "Grande Irmão Catarina". A proposta,segundo o plano de governo,é transmitir em tempo real com imagens as principais atividades diárias e reuniões de trabalho do governador como medida anticorrupção.
Natural do Rio de Janeiro,Marcelo Brigadeiro também traz em seu plano de governo outras medidas com nomes inusitados no campo da segurança pública.
Líder nas pesquisas ao governo de Minas Gerais,o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos),fez proposta semelhante durante debate na TV Bandeirantes na semana passada. Ao ser questionado se era a favor da implantação de câmeras corporais nas fardas dos policiais,ele defendeu que o instrumento também fosse instalado nos chefes dos Executivos estaduais.
— Se policial tem que ter cãmera,todos os agentes públicos têm que ter câmera. Como governador,teria que ter uma camêra em mim,para quando eu sentar na mesa for assinar contratos,a população tem que ver se é a favor do povo ou contra o povo — disse ele.
O programa de governo do Partido da Causa Operária (PCO) é o mesmo para as candidaturas aos governos estaduais e à Presidência.
Diante da crise de credibilidade enfrentada pelo Judiciário,o partido propõe uma medida drástica: extinguir o Supremo Tribunal Federal (STF). Para evitar um vácuo no sistema de Justiça,a proposta prevê,como alternativa,a eleição de todos os juízes e procuradores pelo voto popular,com mandatos passíveis de revogação.
Também no campo da Justiça,a legenda,que tem Rui Costa Pimenta como candidato á presidente,lista uma proposta de “liberdade total de organização política e partidária”,rm que os partidos estariam sob controle exclusivo de seus filiados,além do cancelamento de leis consideradas restritivas,como a Lei da Ficha Limpa.
No último dia 11,Rui Costa Pimenta foi alvo de operação da Polícia Federal (PF),sob suspeita de desvio de recursos do Fundo Partidário. Ele nega irregularidades.

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