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'Bomba' de terremotos pode 'desenterrar' microrganismos adormecidos há milhões de anos no fundo do mar, indica estudo; entenda

\'Bomba tectônica\': Terremotos podem \'desenterrar\' microrganismos sob o fundo do mar,indica estudo; entenda — Foto: Reprodução: seismosoc.org

'Bomba tectônica': Terremotos podem 'desenterrar' microrganismos sob o fundo do mar,indica estudo; entenda — Foto: Reprodução: seismosoc.org

RESUMO

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GERADO EM: 21/04/2026 - 14:06

Terremotos em Subducção Revivem Microrganismos Milenares no Mar

Um estudo apresentado na Sociedade Sismológica da América sugere que terremotos em zonas de subducção podem reativar microrganismos adormecidos há milhões de anos no fundo do mar. Esses microorganismos,descritos como "belas adormecidas",são transportados por fluxos de fluidos causados por deslizamentos tectônicos,permitindo sua sobrevivência e reprodução em regiões mais superficiais. O fenômeno pode ocorrer mesmo com eventos sísmicos sutis,e estudos genômicos mostram que essas adaptações são preservadas ao longo do tempo.

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Uma espécie de “bomba tectônica” pode estar desempenhando um papel crucial na sobrevivência e evolução de microrganismos que vivem sob o fundo do mar. A hipótese foi apresentada em 16 de abril de 2026,durante o encontro anual da Sociedade Sismológica da América,e propõe que processos geológicos em zonas de subducção — onde ocorrem alguns dos maiores terremotos do planeta — transportam esses organismos das profundezas de volta a regiões mais superficiais do leito oceânico.

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Esses microrganismos são descritos pelos cientistas como verdadeiras “belas adormecidas”,capazes de permanecer inativos por milhares ou até milhões de anos sob uma camada de sedimentos marinhos que pode ultrapassar um quilômetro de espessura. Durante esse longo período de dormência,sobrevivem graças a adaptações especializadas.

No entanto,para transmitir essas adaptações às próximas gerações,eles precisam eventualmente retornar às camadas mais rasas do fundo do mar,onde há condições para alimentação,crescimento e dispersão. É nesse ponto que entra o mecanismo proposto pelos pesquisadores.

Segundo Zhengze Li,doutorando da Universidade do Sul da Califórnia,o deslizamento de falhas em zonas de subducção pode impulsionar fluxos de fluidos que carregam microrganismos enterrados de volta à superfície. Modelos desenvolvidos pela equipe indicam que esse processo pode movimentar mais de 1 milhão de gigatoneladas de fluidos a cada milhão de anos,transportando até 10³⁰ células microbianas.

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Li explicou que esse “elevador microbiano” funciona em regiões onde uma placa tectônica mergulha sob outra. Nesse processo,camadas de sedimentos são raspadas da placa que desce e se acumulam contra a placa superior,formando uma espécie de cunha. Parte dos microrganismos permanece na placa descendente e segue em direção ao manto — um trajeto que os pesquisadores chamam de “viagem ao inferno”.

Outros,porém,escapam desse destino ao serem transportados para cima por meio de fraturas e falhas na cunha de sedimentos,ou ainda de forma mais difusa através dos próprios sedimentos,impulsionados pelo movimento tectônico.

Ao chegarem novamente ao fundo do mar em regiões rasas,esses microrganismos podem ser reativados. “Agora eles podem ser reativados e podem se reproduzir”,afirmou Li. “O ciclo completo — desde o soterramento e transporte com a placa em subducção até o eventual retorno — pode levar dezenas de milhões de anos ou mais.”

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Evidências diretas desse transporte de fluidos podem ser observadas em áreas conhecidas como exsudações frias no fundo do mar,onde fluidos emergem do subsolo. Esses locais também oferecem oportunidades para coleta de amostras,permitindo investigar a relação entre processos tectônicos e a vida microbiana subterrânea.

“Também podemos examinar como a atividade sísmica se relaciona com a abundância relativa de diferentes grupos microbianos,e encontramos uma correlação positiva entre energia sísmica e a abundância de microrganismos associados ao subsolo”,disse Li.

A equipe analisou essa relação na zona de subducção da Costa Rica e identificou que índices mais elevados de energia sísmica estão associados a uma maior presença de microrganismos típicos de ambientes profundos.

O fenômeno não se limita a grandes terremotos. Eventos sísmicos mais sutis,como deslizamentos lentos,tremores e movimentos assísmicos,também podem gerar perturbações suficientes para mobilizar fluidos e transportar microrganismos.

Pesquisas conduzidas por Karen Lloyd,professora de biogeoquímica microbiana na mesma universidade e coautora do estudo,identificaram diversas adaptações que permitem a sobrevivência desses organismos em longos períodos de dormência,incluindo mecanismos de reparo de DNA e enzimas capazes de degradar matéria orgânica em grandes profundidades.

Estudos genômicos indicam ainda que mutações nesses microrganismos tendem a preservar características ao longo de milhares a milhões de anos. Ainda assim,para transmitir essas adaptações e evoluir geneticamente,eles dependem de um fator essencial: aguardar que o “elevador tectônico” os leve de volta a um ambiente mais favorável à vida.

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