
Salmão-do-Atlântico pode percorrer milhares de quilômetros entre rios europeus e o oceano ao longo da vida — Foto: Reprodução
GERADO EM: 02/06/2026 - 09:50
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A jornada começa em um dos principais rios da Europa e pode ultrapassar 8 mil quilômetros ao longo da vida. Nascidos em afluentes do Rio Reno,salmões seguem pelas águas da Europa Ocidental até o Mar do Norte,atravessam o Atlântico Norte e,anos depois,tentam retornar exatamente ao local onde nasceram para se reproduzir.
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Após deixarem os rios de água doce ainda jovens,os peixes descem o Reno em direção ao oceano. De lá,seguem para áreas de alimentação no Atlântico Norte,em uma viagem que pode levá-los a regiões próximas da Groenlândia. O percurso entre os rios europeus e essas áreas marítimas supera 4 mil quilômetros.
Quando atingem a idade adulta,inicia-se a etapa mais impressionante da migração. Os salmões abandonam o oceano e fazem o caminho inverso,percorrendo novamente milhares de quilômetros para voltar ao rio de origem. Cientistas acreditam que eles utilizam uma combinação do campo magnético da Terra e da memória química da água para encontrar o destino com precisão.
No caso do Reno,a viagem de retorno pode exigir centenas de quilômetros rio acima. Ao longo do trajeto,os peixes enfrentam correntezas,mudanças de nível da água e obstáculos artificiais,como barragens e usinas hidrelétricas,que dificultam a chegada às áreas de reprodução.
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Essa rota migratória desapareceu em grande parte do século XX. A intensa poluição industrial e agrícola transformou o Reno em um dos rios mais degradados da Europa,levando ao desaparecimento dos salmões em vários trechos. O episódio mais emblemático ocorreu em 1986,quando um incêndio em um depósito de produtos químicos da então empresa Sandoz lançou toneladas de substâncias tóxicas no rio.
Nas décadas seguintes,países banhados pelo Reno passaram a investir na recuperação ambiental da bacia hidrográfica. A melhora da qualidade da água permitiu o retorno gradual de diversas espécies e abriu caminho para programas de reintrodução do salmão.
Todos os anos,centenas de milhares de filhotes são soltos em rios ligados ao Reno para reforçar a população. A expectativa é que parte deles consiga completar o ciclo natural: descer até o oceano,sobreviver por vários anos e retornar ao ponto de partida.
Em 2008,a captura de um salmão em Basileia,na Suíça,chamou atenção por representar um feito que não era registrado havia cerca de meio século. O episódio se tornou um símbolo dos esforços para devolver ao Reno uma espécie que,durante séculos,fez parte da paisagem do rio.
Apesar dos avanços,especialistas afirmam que a principal barreira para o retorno definitivo dos salmões continua sendo a presença de barragens em parte do percurso. Organizações ambientais defendem a ampliação de passagens para peixes,consideradas essenciais para que a espécie volte a completar naturalmente uma das mais longas jornadas do mundo animal.

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