ENTRETENIMENTO Jun 6, 2026 IDOPRESS

Entrevista: 'Nunca mais o futebol vai ser contado sem uma de nós', diz Ana Thaís Matos sobre representatividade feminina

Ana Thaís Matos participou do Toca e Passa — Foto: Alexandre Cassiano

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 05/06/2026 - 22:24

Ana Thaís Matos celebra avanço feminino na imprensa esportiva

Ana Thaís Matos,nova colunista do GLOBO,celebra o aumento da representatividade feminina na imprensa esportiva,destacando que o futebol nunca mais será contado sem a presença feminina. Ela compartilha suas experiências lidando com "haters" nas redes sociais e discute a necessidade de mudanças na seleção para o Mundial. Ana Thaís também menciona seu amadurecimento e preparação emocional para a cobertura da Copa do Mundo.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

Não se passa indiferente a Ana Thaís Matos. Embora a paulistana de 41 anos tente se desvencilhar do peso do pioneirismo que carrega,suas marcas no jornalismo esportivo brasileiro são inegáveis. A caminho de mais uma Copa do Mundo como comentarista da TV Globo,ela faz,com a franqueza de sempre,um balanço de sua trajetória e da representatividade feminina no futebol,reflete sobre ansiedade e haters e apresenta a coluna que escreverá no GLOBO nos dias de jogo da seleção na Copa.

Esta será sua terceira Copa do Mundo na Globo. O que mudou em você de 2018 para cá?

Amadureci,claro. Filtrei o meu olhar também. É legal olhar a plataforma de jogo,mas o comportamento de quem promove o espetáculo é tão importante quanto saber se o cara chuta com a esquerda ou a direita. Passei a me importar menos em agradar e mais em ser fiel ao que considero importante no contexto de cada jogo.

Os últimos quatro anos da seleção foram conturbados. Como foi o seu ciclo?

Continuar Lendo

A Copa do Mundo do Catar foi uma hecatombe. Eu estava na linha de frente,era a primeira mulher a ocupar aquele espaço (de comentarista),tinha a despedida do Galvão da Globo,as transmissões... Só tive noção do que estava acontecendo quando começou a acontecer. Na época,fechei meu Twitter porque não queria saber o que estavam falando. Disse para minhas amigas que não queria saber se estavam me xingando ou gostando do que eu falava.

Sempre tem um amigo para mandar um link no WhatsApp.

Não seja essa pessoa. Agora,quatro anos depois,não tenho e não sei o que está rolando no X. E realmente passei a me importar muito menos com o que se fala sobre mim. Entendi o quanto o algoritmo lucrou me atacando e me desprendi da pressão de ter sido a primeira mulher a ocupar aquele lugar,de carregar os sonhos de tantas outras. Nunca mais o futebol vai ser contado sem uma de nós. Pode ser uma narradora,uma comentarista... Sempre haverá a responsabilidade de falar para 25,30 milhões de pessoas,mas me sinto muito mais leve que em 2022.

Como se prepara para a Copa?

O Brasileiro é muito intenso. A gente trabalha em três,quatro jogos por semana,além de programas à tarde. Gostaria de ter disponibilidade para me dedicar mais. Pego uma hora do meu dia para ler notícias,saber mais ou menos o que está acontecendo. Fui estudar inglês,mais do que havia estudado para o Catar. Brinco que,no Catar,pedia arroz e frango e chegava berinjela com espinafre. Também fiz muita terapia,cuidei do meu corpo. Cheguei doente ao Catar,estava acima do peso,com disfunção de tireoide. Foi um período trash para mim,porque foi um ano depois da morte do meu pai e outras coisas aconteceram. Não sei como suportei. Me preparei muito mais,não só técnica,mas emocional e fisicamente para esta Copa do Mundo.

E como é no dia do jogo? Você ainda sente frio na barriga?

Sempre. Nos 30 minutos antes (do jogo),sou consumida por certo nervosismo. Estou tão condicionada a prestar atenção,performar,que toda a minha energia acaba sendo canalizada. Depois,tem uma queda grande. E isso me causou problemas de saúde. Desenvolvi compulsão alimentar,tive crises de ansiedade e pânico por conta dessa sensação de ir para o extremo da concentração e,do nada,acabar.

Como controlou isso?

Demorou. Em 2024,principalmente nos Jogos de Paris,absorvi uma pressão de que não precisava. Na minha cabeça,a seleção feminina tinha que dar certo,porque era a última chance. Se desse errado,tudo pelo que a gente milita ia dar errado. E a gente quis tanto que o Arthur Elias (assumisse como treinador)... Parecia que eu entrava em campo. Ficava muito tensa. Às vezes vão na minha rede social e falam: “você torceu contra o Brasil,você torce contra o Neymar”. Em que mundo as pessoas vivem? Vou torcer contra o meu trabalho? Quanto melhor o Brasil estiver,melhor para mim. Se o Brasil chegar à final da Copa,é a certeza de que estarei numa final de Copa do Mundo.

Você sente essa necessidade de estar presente o tempo inteiro nas redes sociais?

Já sofri mais com isso. Sou filhote de rede social. Já me fiz mais presente porque queria promover meu trabalho,e as redes sociais me ajudaram muito. Mas eu não capitalizei em cima delas. Quando se começou a capitalizar,eu já estava migrando para a TV e dei prioridade a isso. E também porque comecei a sofrer muito hate. Recuei. Antes da última Copa,já tinha fechado minha conta no Twitter,porque ficou muito pesado,percebi que estava me fazendo mais mal do que bem. Agora,depois de muita terapia e de ter virado mãe de pet,voltei a produzir coisas para rede social. Nem tanto de futebol,porque falo de futebol onde me pagam.

Qual é o patamar atual da representatividade feminina no jornalismo esportivo?

Avançou bastante na questão de gênero e quase nada na de raça. A gente ainda representa pouco o Brasil real. Também se vive ainda um Feitiço de Áquila: quando uma está,a outra não está. Se tem uma narradora,não pode ter uma comentarista. Se tem uma comentarista,não pode ter outra. A gente está caminhando. É uma mudança demorada,como toda mudança. Mas aconteceu muita coisa boa. A Renata (Silveira) vai ser narradora na Copa do Mundo. Isso é muito legal. Quando voltei do Catar,falei para minha chefe: “daqui a quatro anos gostaria de voltar com mais mulheres”. Foi uma Copa muito solitária para mim. Na final,olhei para baixo e não tinha mulher nas bancadas de transmissão. Em 2019,dei uma palestra em um colégio de classe média alta,e a reclamação das adolescentes era de que os meninos não as deixavam falar de futebol. Aquelas crianças de 8 ou 10 anos estavam incomodadas porque tinham que decorar o time inteiro para poder falar de futebol. A gente sempre esteve aí,as oportunidades demoraram para acontecer. A culpa não é nossa.

Você será colunista do GLOBO durante o Mundial. O que os leitores podem esperar?

O auge chegou,né,gente? Era um dos meus sonhos ter uma coluna. Registrar o que você pensa é muito valioso. Não por ego,mas porque é atemporal. Daqui a 50 anos ter o registro de um pensamento... Estou muito feliz e empolgada. Via muitas pessoas falando: “Por que você não fala como Fulano?”. Teve até um treinador que me mandou uma mensagem: “Você tem que ouvir tal jornalista e ser igual a ele”. Eu respondi: “Se é para ser igual a todo mundo que está aí,eu não precisava chegar aqui.” Minha ideia é trazer uma visão comportamental de uma jornalista que torce pela seleção brasileira. Não vou perder isso de vista. Mas é uma torcida crítica.

Você sublinha que é torcedora da seleção brasileira. Chega à Copa otimista ou pessimista?

Não estou pessimista nem otimista. O que acho é que a seleção se planejou para um time,e esses dois últimos jogos antes da Copa vão entregar uma outra seleção para o Ancelotti. O diferencial dele é não ser um técnico teimoso. Tem gente pedindo passagem pelo fim do 4-2-4. Que ódio tenho desse esquema! Sempre soube que não daria certo. Não tem nada a ver com o Brasil. Mais que isso,a Copa do Mundo do Catar deixou como legado que os jovens estão vivendo o auge muito cedo. A gente falava de auge aos 27 anos. Hoje,com 23,o cara já está no auge. Acho que os jovens,mais uma vez,vão pedir passagem na seleção.

Tópico Moda: Guia Ultimate para as últimas tendências da moda

Bem -vindo ao nosso guia sobre as últimas tendências da moda! Neste mundo de moda em ritmo acelerado e em constante mudança, pode ser um desafio acompanhar os estilos e tendências mais recentes. Mas não tema, porque o abordamos. De desfiles ao estilo de rua, de grampos clássicos a designers emergentes, nosso guia abrangente fornecerá tudo o que você precisa saber para navegar no emocionante mundo da moda. Vamos embarcar nessa jornada de alfaiataria juntos e descobrir como você pode abraçar sem esforço as últimas tendências da moda!