
Messi bate seis recordes e amplia outros seis em Copas — Foto: Paul ELLIS / AFP
GERADO EM: 23/06/2026 - 00:24
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Toda sorte de adjetivos já foi usada para descrever a genialidade recorrente de Lionel Messi. De modo que qualquer um deles agora pareceria repetitivo e,ao mesmo tempo,insuficiente. É um alívio,portanto,que o maior jogador de nossos tempos ainda seja capaz de protagonizar feitos cujo gigantismo dispensa acessórios: ele agora é isoladamente o maior artilheiro da história das Copas do Mundo,após marcar os gols da vitória da Argentina por 2 a 0 sobre a Áustria,nesta segunda-feira,em Dallas,e chegar aos 18.
Não deixa de ser curioso que mais um dia de brilhantismo no currículo de Messi tenha começado de forma tão desajeitada. Ainda aos 8 minutos,os argentinos se agitaram nas arquibancadas e prepararam seus celulares com a certeza de que,à medida que o camisa 10 caminhava para cobrar o pênalti sofrido por Lautaro Martínez,estavam prestes a testemunhar a História. Mas ainda não era a hora. Num breve anticlímax,a finalização escapou pelo lado esquerdo do goleiro Schlager,e,pela terceira Copa seguida,Messi falhou numa cobrança de pênalti — o que,bom,também é um feito inédito.
Mas a rotina a que o gênio está habituado é mesmo a de correr para uma das esquinas do gramado à espera do abraço dos companheiros. E,olhando em retrospecto,o destino parece ter conduzido aquele pênalti para fora apenas para que Messi alcançasse a glória em um lance esteticamente mais apropriado à ocasião. Pois,com meia hora de atraso,Almada arrancou pelo centro,encontrou Medina na esquerda e,depois do cruzamento,fez o corta-luz que deu a Messi a oportunidade de superar Klose na artilharia histórica dos Mundiais e,de quebra,tornar-se o primeiro a balançar as redes em seis partidas seguidas.

Lionel Messi e Leandro Paredes comemoram segundo gol do camisa 10 — Foto: Getty Images via AFP
Esse golaço teria sido o bastante,mas o início avassalador do craque nos EUA — ele já havia feito um hat-trick na estreia — guardava espaço para uma gordura no ranking. Nos acréscimos da segunda etapa,após Schlager defender finalização de Álvarez,Paredes tocou para Messi,que foi bloqueado na primeira tentativa,mas fez o 18º gol na segunda.

Lionel Messi se tornou o maior artilheiro em Copas do Mundo e ultrapassou Marta — Foto: Francois Nel / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
—É realmente espetacular como tudo aconteceu. Tive o pênalti que poderia ter aumentado minha contagem,mas,se eu tivesse convertido aquele pênalti,talvez não tivesse feito os outros dois gols também. Estou feliz com o resultado,com o desempenho e com o trabalho da equipe — celebrou o atacante,que exibia um sorriso largo na conversa com os jornalistas.
Com Klose superado definitivamente,Messi agora olha para o retrovisor e enxerga a ameaça de Mbappé. O francês marcou duas vezes ontem,contra o Iraque,e igualou os 16 do alemão.

Jogadores argentinos comemoram o gol de Messi contra a Áustria — Foto: PAUL ELLIS/AFP
Que o recorde de Messi seja a principal manchete é natural. Mas convém que ele não ofusque totalmente o trabalho coletivo feito pela Argentina liderada por Lionel Scaloni. Após um ciclo em que a seleção não enfrentou a elite europeia e ainda precisou administrar a ressaca pós-título no Catar,não se sabia ao certo o que esperar dela em campo. Mas as duas primeiras atuações nos EUA mostram um time coeso como nunca,que tem na genialidade de Messi a cereja do bolo e não a receita completa.
Ontem,a Áustria em alguns momentos representou um desafio à proposta de jogo argentina,baseada na concentração de homens no centro do campo. Empenhados,os europeus congestionavam o setor e,como também não economizavam na agressividade nas divididas,exigiram dos rivais persistência para trocar passes e escapar da pressão.
A maneira como a vitória em Dallas foi construída — sem drama,com naturalidade — também revela a maturidade do time de Scaloni,que com uma rodada de antecedência se classificou à segunda fase do Mundial.
— Os torcedores ficam empolgados vendo este time,como ele compete e se diverte — analisou Scaloni.
Há mesmo motivos para os argentinos se regozijarem,seja pela perspectiva de uma nova conquista ou pelo privilégio de testemunhar os feitos de Messi. E a próxima oportunidade para serem felizes será às 23h deste sábado,diante da Jordânia,de novo em Dallas. Se a taça irá para Buenos Aires,é cedo para dizer. Por ora,a única certeza é que o gênio que amanhã completa 39 anos de idade ainda tem muitos parabéns a receber.

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