
O CEO do Banco Master,Daniel Vorcaro,preso na última segunda-feira (17) pela PF — Foto: Ana Paula Paiva/Valor
Os advogados de Daniel Vorcaro estão tentando reabrir as negociações para um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com interlocutores de ambos os lados – o do dono do Banco Master e o dos investigadores –,porém,todas as tentativas de reaproximação feitas até agora foram frustradas.
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O último movimento foi uma abordagem do advogado de Vorcaro,Sérgio Leonardo,ao procurador-geral da República,Paulo Gonet,no salão branco do Supremo Tribunal Federal (STF). No salão,que costuma ser frequentado por advogados e ministros em intervalos de julgamentos,Leonardo disse a Gonet que seu cliente estava disposto a fazer uma nova oferta e dizer o que delegados e procuradores queriam saber,mas o procurador-geral rechaçou a ideia de bate pronto.
Não foi a primeira tentativa de Leonardo. Nos dias anteriores,ele tentou o mesmo tipo de approach com a PF e com a PGR,em visitas pessoais e conversas em que procurou encontrar uma brecha para retomar a negociação. Até agora,não teve sucesso.
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Tanto a PF como a PGR veem a iniciativa de Vorcaro como uma espécie de truque,porque não acreditam que ele esteja realmente disposto a fazer uma confissão real de crimes para fechar um acordo de delação.
No último dia 15,a PGR rejeitou a segunda proposta de delação de Vorcaro por considerar que seu conteúdo não acrescentava nada de relevante ao que já se sabia a respeito dos crimes praticados por ele,além de omitir informações que a PF já tinha. Uma semana antes,a Polícia Federal rejeitou a delação com a mesma justificativa.
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Com o final das negociações,Vorcaro foi encaminhado da Superintendência da PF no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF,conhecido como “Papudinha”.
Na cadeia,Vorcaro deve ficar na mesma cela do ex-presidente Jair Bolsonaro por um período de pelo menos 10 dias,por conta de um “isolamento sanitário” recomendado pela própria Vara de Execuções Penais,segundo a equipe da coluna apurou.
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O objetivo é afastar o risco de ele eventualmente ter contraído alguma doença ou infecção que possa se espalhar na Papudinha – procedimento comum adotado com detentos que passam por esse tipo de transferência.
Depois disso,o ex-banqueiro pode ser mantido na cela ou realocado para outra,já que não está descartada a possibilidade de Bolsonaro retornar ao batalhão da PM. Nesse caso,o espaço precisará estar livre para recebê-lo.
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Além de Vorcaro,está detido na Papudinha outro potencial delator do caso Master,o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa,também preso no bojo das investigações de um esquema de corrupção e fraude bilionária.
Ao determinar a transferência do banqueiro para o batalhão,o ministro do STF André Mendonça determinou que o presídio adotasse as “providências necessárias para preservar a incomunicabilidade entre os custodiados presos em razão da denominada Operação Compliance Zero”.

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