Presidente dos EUA,Donald Trump,após cerimônia na Casa Branca — Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Presidente dos EUA,Donald Trump,após cerimônia na Casa Branca — Foto: Brendan SMIALOWSKI / AFP
GERADO EM: 21/04/2026 - 21:45
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Horas antes do fim do prazo dado por ele mesmo para um cessar-fogo na guerra contra o Irã,o presidente dos EUA,anunciou a extensão por tempo indeterminado da trégua,para que os iranianos apresentem uma proposta unificada. Foi o desfecho,ao menos temporário,para um perigoso impasse sobre o futuro do conflito,e que marcou ao menos o sétimo recuo de Trump em uma guerra na qual se declara vencedor.
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Até as primeiras horas da terça-feira,havia a expectativa de que o vice-presidente dos EUA,JD Vance,embarcaria rumo a Islamabad para chefiar a segunda rodada de negociações com o Irã,tal como o fez há cerca de duas semanas. Nos bastidores,os americanos acreditavam que ao menos uma extensão da trégua seria obtida à mesa.
Segundo iranianos e paquistaneses,a trégua terminaria às 21h desta terça-feira,pelo Horário de Brasília,enquanto os EUA consideravam que a pausa seria válida até a noite de quarta-feira. Não estava claro o que aconteceria se o prazo terminasse sem acerto. Na véspera,Trump disse ser “extremamente improvável” concordar com mais tempo para a diplomacia,e sugeriu que poderia atacar alvos do setor de energia e instalações civis.
Mas no final da tarde de terça,ele estendeu o cessar-fogo por tempo indeterminado.
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“Considerando que o governo do Irã está seriamente fragmentado,o que não surpreende,e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif,do Paquistão,fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada”,escreveu no Truth Social.
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Desde a semana passada,Trump tratava as novas conversas como fato consumado,e chegou a dizer que os iranianos “concordaram com tudo”,se referindo a possíveis concessões em seu programa nuclear,incluindo a suspensão do enriquecimento de urânio e o envio de material enriquecido aos EUA. Ele prometeu um acordo “melhor” do que o assinado em 2015 por Barack Obama,que conseguiu impor limites às atividades nucleares iranianas,até ser rasgado pelo republicano em 2018. Sempre que possível,declarava-se o vencedor da guerra,e travava as críticas como atos de “anti-americanismo”.
“A mídia de notícias falsas anti-americana está torcendo para que o Irã vença,mas isso não vai acontecer,porque eu estou no comando!”,escreveu no Truth Social,na segunda-feira à noite. “Assim como essas pessoas antipatrióticas usaram cada grama de sua força limitada para me combater nas eleições,elas continuam fazendo o mesmo com o Irã.”

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Não se sabe o que foi discutido nos bastidores,mas em público Teerã jamais confirmou sua participação nas conversas em Islamabad. Representantes do regime dizem que não pediram a extensão do prazo.
— Ao longo das negociações,Trump se comportou como se os americanos estivessem vencendo a guerra,e como se isso lhes permitisse extrair concessões do Irã,o que é uma visão muito questionável — afirmou Maurício Santoro,professor de Relações Internacionais e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha,ao GLOBO. — Ao menos do ponto de vista econômico,o Irã demonstra uma capacidade maior de influenciar os acontecimentos do que os EUA. Um exemplo é o fechamento do Estreito de Ormuz.

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A passagem,por onde em tempos de paz trafegam 20% das exportações globais de petróleo e gás,está praticamente fechada pela Guarda Revolucionária desde o início de março,e nem as ameaças de Trump forçaram sua reabertura. No começo do mês,ele disse que "uma civilização iria morrer" se não houvesse um acordo para reabrir o estreito. A fala,considerada por si só um crime de guerra,angariou críticas até em sua base mais fiel nos EUA,e levou ao cessar-fogo temporário de duas semanas,agora ampliado indefinidamente.
Na semana passada,Trump determinou um bloqueio naval aos portos iranianos e a todas as embarcações de bandeira do Irã,que desviou dezenas de navios e foi além de simples alertas. No domingo,um navio cargueiro no Golfo de Omã foi atacado e capturado,e nesta terça-feira,um petroleiro foi abordado no Oceano Índico. Segundo diplomatas,neste momento o bloqueio é o ponto mais sensível das conversas,e deixou à mostra fissuras na República Islâmica,mencionadas pelo republicano no Truth Social.
A Guarda Revolucionária expôs publicamente a insatisfação com o anúncio feito pelo chanceler,Abbas Araghchi,na sexta-feira passada,de que Ormuz estava “completamente aberto”,apesar do bloqueio naval. Araghchi foi criticado na imprensa oficial,suas declarações retificadas e,no sábado,o estreito voltou a ser fechado a quase todos os navios. Desde então,o país passou a condicionar sua ida a Islamabad ao fim do bloqueio. Segundo o portal Axios,os paquistaneses pediram a pausa para dar tempo ao novo líder supremo,Mojtaba Khamenei,dar ordens claras e uniformes aos negociadores,o que pode acontecer até quarta-feira. Mas por enquanto,as restrições seguem em vigor
“Ordenei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e,em todos os outros aspectos,permaneçam prontas e aptas,e,consequentemente,estenderei o cessar-fogo até que sua proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas,de uma forma ou de outra”,escreveu no Truth Social.
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O Irã não se pronunciou até a noite de terça-feira. Em despacho,a agência Mehr News disse que o republicano foi “forçado a estender o cessar-fogo”. Em análise,a agência Tasnim,ligada à Guarda Revolucionária,afirma que o recuo mostra que Trump “perdeu a guerra”. Para Mahdi Mohammadi,conselheiro do presidente do Parlamento,Mohammad Bagher-Ghalibaf,o plano dos EUA é ganhar tempo para um ataque surpresa. Em Washington,assessores da Casa Branca afirmaram privadamente,de acordo com a rede CNN,que os iranianos poderiam usar a ausência de prazos para arrastar as conversas — as negociações para o acordo nuclear de 2015 levaram quase dois anos.
Seja qual for o motivo,uma impressão ficou no ar: a de que o presidente recuou,pela sétima vez,em uma guerra da qual não sabe como sair,quando sua aprovação está no ponto mais baixo do atual mandato,36%,segundo pesquisa da Reuters. Como escreveu um analista do jornal britânico Guardian,mais um episódio do chamado "Taco",sigla em inglês para a expressão "Trump sempre amarela",agora em sua versão persa
— Quando ele inicia esse novo ciclo de guerras contra o Irã,Trump tem problemas para vender isso à sua base eleitoral. As pesquisas mostram que o apoio à guerra é baixo nos EUA,o eleitor está preocupado com a inflação,e isso pode influenciar nas eleições de meio de mandato. — opina Santoro. — Para ele,é complicado equilibrar essas demandas contraditórias,o que ele quer e o que os eleitores esperam dele,e isso leva a um discurso mais descolado da realidade,mais afastado do que acontece no campo de batalha.

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