
Desmaiar durante atividades físicas requer investigação médica — Foto: Magnific
GERADO EM: 09/07/2026 - 21:01
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Desmaiar assusta. Assusta quem sente,quem presencia e,muitas vezes,quem atende. De repente,a pessoa perde a consciência,cai ou quase cai,fica pálida,suada,sem força,e em poucos segundos ou minutos volta a si. Em muitos casos,o episódio é benigno. Mas em outros,pode ser o primeiro sinal de uma doença grave do coração,do cérebro,dos pulmões ou da circulação.
Por isso,a pergunta mais importante não é apenas “por que desmaiei?”,mas “esse desmaio foi perigoso?”. O desmaio,chamado tecnicamente de síncope,acontece quando há uma redução temporária do fluxo de sangue para o cérebro. O cérebro precisa receber oxigênio continuamente. Quando esse suprimento cai,mesmo por poucos segundos,a consciência pode ser interrompida. A pessoa apaga,perde o tônus muscular e,geralmente,se recupera quando cai ou deita,porque essa posição facilita o retorno do sangue ao cérebro.
A forma mais comum é a chamada síncope vasovagal. Ela pode ocorrer após dor intensa,calor,jejum prolongado,emoção forte,permanência em pé por muito tempo,desidratação ou situações de estresse. Muitas vezes,antes do desmaio,a pessoa sente tontura,náusea,suor frio,visão escurecida,fraqueza,zumbido ou sensação de que vai “apagar”. Nesses casos,embora o episódio possa ser dramático,geralmente não representa uma doença cardíaca grave. Mas nem todo desmaio é igual.
Há sinais de alerta que precisam ser conhecidos pela população. Desmaio durante esforço físico,por exemplo,nunca deve ser banalizado. Se uma pessoa perde a consciência enquanto corre,sobe escadas,pratica esporte ou faz atividade intensa,é preciso investigar o coração. Algumas arritmias e doenças estruturais cardíacas podem se manifestar dessa forma.
Também preocupa o desmaio acompanhado de dor no peito,falta de ar,palpitações ou sensação de batimentos muito acelerados ou irregulares. Esses sintomas podem indicar arritmia,infarto,embolia pulmonar ou outras condições que exigem avaliação urgente.
Outro sinal importante é o desmaio sem aviso. Quando a pessoa simplesmente apaga,sem náusea,sem tontura,sem suor frio,sem qualquer pródromo,aumenta a preocupação com causas cardíacas. O mesmo vale para episódios recorrentes,quedas com trauma,desmaio em idosos,em pacientes com doença cardíaca conhecida ou em pessoas com histórico familiar de morte súbita.
É fundamental também diferenciar desmaio de convulsão. Na síncope,a recuperação costuma ser rápida. A pessoa pode acordar assustada,mas tende a recuperar a orientação em pouco tempo. Na convulsão,pode haver movimentos repetitivos,mordedura de língua,perda de urina,confusão prolongada depois do episódio e sonolência intensa. Em caso de dúvida,a avaliação médica é indispensável.
O que fazer diante de alguém que desmaia? A primeira atitude é deitar a pessoa de costas e elevar suas pernas,se possível. Afrouxar roupas apertadas,manter o ambiente ventilado e observar a respiração. Não se deve jogar água no rosto,dar tapas,colocar álcool para cheirar ou tentar oferecer água enquanto a pessoa estiver inconsciente. Se houver trauma,dor no peito,convulsão,demora para recuperar a consciência ou novo desmaio,o atendimento de emergência deve ser acionado.
Depois do episódio,é importante reconstruir a história: o que a pessoa estava fazendo? Estava em jejum? Sentiu algo antes? Houve dor no peito? Palpitação? Falta de ar? Tomou algum medicamento novo? Tem pressão baixa? Usa remédios para hipertensão,diuréticos,antidepressivos ou medicamentos que possam alterar o ritmo cardíaco? Houve queda? Bateu a cabeça?
A medicina moderna dispõe de recursos simples e poderosos para investigar a síncope: exame clínico,eletrocardiograma,exames laboratoriais,ecocardiograma,monitorização do ritmo cardíaco,teste ergométrico,avaliação cardiovascular mais profunda e avaliação neurológica em casos selecionados. Mas nenhum exame substitui uma boa história. O contexto do desmaio frequentemente aponta o caminho do diagnóstico.
Também é preciso lembrar que desmaiar não é “frescura”,“nervoso” ou “fraqueza emocional”. O corpo fala por meio de sinais. Às vezes,ele pede água,repouso e alimentação. Outras vezes,pede uma investigação urgente. O erro está em tratar todos os desmaios como banais,ou todos como tragédias. A boa medicina está em reconhecer o risco.
Para a população,a mensagem deve ser clara: se o desmaio aconteceu em uma situação típica como calor,jejum,emoção,permanência prolongada em pé,e veio precedido de tontura,suor frio e náusea,provavelmente é menos preocupante. Ainda assim,se for recorrente,merece avaliação. Mas se ocorreu durante esforço,sem aviso,com dor no peito,palpitação,trauma,confusão prolongada,em idoso ou em pessoa com doença cardíaca,não espere. Procure atendimento.
Desmaiar é perder a consciência por alguns segundos. Ignorar o sinal pode ser perder uma oportunidade de prevenção. Ouvir o corpo,nesse caso,pode salvar uma vida.

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