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Meu tempo guardado nas histórias das Copas do Mundo

Derrota do Brasil para a Alemanha na Copa de 2014 calou o Mineirão — Foto: Adrian Dennis/AFP/8-7-2014

RESUMO

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GERADO EM: 10/07/2026 - 21:00

Memórias de Copas do Mundo: Lembranças Familiares e Emocionais

O artigo narra memórias pessoais do autor sobre as Copas do Mundo,destacando momentos marcantes e emocionais ao longo dos anos,desde 1978 até 2026. Com foco em experiências familiares e profissionais,o autor relembra abraços,viagens e jogos inesquecíveis,além de mencionar como essas vivências se entrelaçam com a passagem do tempo e a relação com seus filhos,especialmente João e Maria Flor,em diferentes edições do torneio.

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João pode ser muitas coisas numa Copa do Mundo. Pode ser Saldanha,pode ser Havelange,pode ser um marcador de Garrincha. Mané teve vários joões indistintos. Minha primeira memória de Copa não tem João — é pastosa,algum jogo de 1978,o Mundial que o Brasil perdeu sem perder,num apartamento talvez no Leblon.

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Quatro anos depois me lembro de estar em outro apartamento,este certamente no Leblon,na Rua Almirante Guilhem,sentado numa cadeira diante de uma pequena TV Telefunken. Eu tinha dez anos e chorei como se perdesse alguém quando o jogo terminou. Meu avô João me consolou — como me consolaria anos depois quando meu cachorro morreu e ele brincou:

— O próximo sou eu!

E seria ele — muitos anos depois.

Em 1986,vi o Brasil ser eliminado com meus amigos — já era jovem. Luciano do Valle gritou “Classifica a França”. E repetiu “Classifica a França”. Em 1990,já era Galvão Bueno descrevendo Caniggia. Quatro anos depois meu amigo João,tentando vaga no Itamaraty,ganhou uma viagem pro Mundial. Me chamou. Não pude ir — já era repórter do GLOBO. Acompanhei aquela final num televisor mínimo plantado sobre um muro baixinho na frente da casa de Seu Edevair,pai de Romário,na Vila da Penha.

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Em 1998,pelo Lance,vivi minha primeira Copa de perto,dormi com o laptop como travesseiro num trem cheio de escoceses,conheci Nantes,Marselha,Bordeaux,passei o frio mais ingrato e vi a derrota na final em Paris. Depois do jogo,cruzei um mar de franceses alucinados para dar plantão de madrugada na concentração do Brasil à espera de alguma notícia que nunca veio.

Em 2002,estava na TV Globo e trabalhei com três Joões: Barbosa,Pedro e Ramalho. Comecei a Copa na Coreia. Gravei os coreanos berrando Daehan Minguk com uma moderna câmera de 2 megapixels. E vi de perto o confete do penta. Eu não acreditaria,vinte anos antes,que veria a seleção ao vivo em duas finais.

Em 2006 eu já estava casado e havia João na barriga de Marcela quando viajei pro Mundial. Minhas missões na Alemanha eram duas: ser chefe de reportagem e comprar um carrinho de bebê. Baseado em Munique,vi de longe a França rifar o Brasil (em Frankfurt) — mas pude acompanhar meu pai na semifinal em que Zidane despachou o jovem CR7. Assim que a Itália ganhou,corri para o Brasil. João nasceria em setembro.

Em 2010,vi o Brasil perder da Holanda em Port Elizabeth... e depois a vitória espanhola na final no belo e gelado Soccer City. Mas minha principal memória dessa Copa é um abraço infinito. O abraço que ganhei do João de 4 anos quando cheguei no aeroporto do Galeão.

Em 2014,além de João já havia Júlia. Mas não vi eles chorarem. Estava no Mineirão ouvindo o mais impressionante dos silêncios. Em 2018 e 2022 fiquei no Brasil trabalhando em programas — vendo a Copa daqui,sentindo Rússia e Catar de longe.

E eis que em 2026 já existe Maria Flor além de Júlia,e ambas me pedem a camisa azul da seleção. Que pode fazer um pai além de atender? Depois de 36 anos,pude acompanhar uma Copa em casa. Vi João sair com a camisa amarela número 10,Poli escrito nas costas,para encontrar os amigos. Se o tempo realmente passa... cada Copa nos ajuda a marcá-lo. E a guardá-lo.

No último domingo,o Brasil perdeu e Maria Flor chorou. Por um momento,vi aquele menino de 1982 na minha filha de 9 anos. Aquele menino que era eu... mas nunca foi apenas eu.

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