
Cena de Toy Story — Foto: Divulgação
GERADO EM: 17/07/2026 - 20:26
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A franquia "Toy Story" é querida em todo o mundo. Um dos motivos de tanto sucesso são seus temas centrais — a alegria e os vínculos criados por meio das brincadeiras —,que conquistam tanto crianças quanto adultos.
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Nos quatro filmes anteriores,"Toy Story" abordou temas como amizade,superação e o processo de amadurecimento. Embora esses assuntos continuem presentes no quinto longa,a nova produção também trata de uma questão bastante atual: o uso da tecnologia pelas crianças,incluindo tablets,celulares,computadores e televisores.
Como pesquisadores em Psicologia dedicados ao estudo do desenvolvimento infantil e das brincadeiras,vemos "Toy Story 5" como uma oportunidade para refletir sobre o que a ciência revela a respeito do papel do brincar e das tecnologias digitais na vida das crianças — e sobre como os pais podem ajudá-las a encontrar um equilíbrio saudável entre esses dois mundos.
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Ao longo do filme,o público acompanha a alegria espontânea de Bonnie ao criar um universo inteiro com seus brinquedos. Essas cenas despertam um sentimento de nostalgia,mas vão além disso: as pesquisas mostram que o brincar imaginativo e interativo é essencial para o desenvolvimento saudável das crianças.
As crianças precisam de interações presenciais — frequentemente favorecidas pelas brincadeiras — para desenvolver habilidades socioemocionais,como comunicação,cooperação e resolução de problemas.
As brincadeiras com outras crianças também desempenham um papel fundamental no desenvolvimento das competências sociais e emocionais,favorecendo a capacidade de construir e manter relacionamentos. Todos esses benefícios,amplamente documentados pela ciência,podem ser prejudicados quando o excesso de tecnologia passa a ocupar esse espaço.
Logo no início de "Toy Story 5",há uma cena inquietante. Jessie e Bala no Alvo encontram diversos brinquedos abandonados no jardim da casa vizinha. Eles afirmam que "a era dos brinquedos acabou".
Os dois sobem até o telhado da casa e observam,assustados,que praticamente todas as residências da rua têm crianças com os olhos fixos em telas. Apenas uma casa foge à regra: a de Bonnie.
Essa realidade é confirmada pelos dados. Uma revisão de estudos em língua inglesa,envolvendo mais de 89 mil crianças — quase metade delas da América do Norte — constatou que mais da metade das crianças com menos de 5 anos ultrapassa o tempo de tela recomendado para sua faixa etária.
Nos Estados Unidos,metade das crianças com menos de 8 anos já possui o próprio dispositivo eletrônico,e números semelhantes são observados no Canadá.
O excesso de tempo diante das telas,especialmente nos primeiros anos de vida,pode prejudicar o desenvolvimento da linguagem,da comunicação,da aprendizagem e das relações com outras crianças,justamente porque reduz o tempo dedicado às brincadeiras enriquecedoras.
Isso não significa,porém,que a tecnologia seja necessariamente prejudicial.
Embora as telas possam substituir momentos de brincadeiras imaginativas,presenciais e fisicamente ativas — fundamentais para o desenvolvimento infantil —,elas também podem ajudar algumas crianças a estabelecer conexões.
É justamente nesse ponto que "Toy Story 5" apresenta uma visão mais equilibrada do que a simples ideia de que "brinquedos são bons e tecnologia é ruim".
Quando Bonnie ganha um tablet dos pais,o aparelho parece oferecer aquilo que ela vinha procurando: uma forma de se conectar com outras crianças. No entanto,aos poucos,o uso do dispositivo passa a dominar seu tempo de brincadeira,sem proporcionar uma conexão realmente significativa.
O filme também mostra que apenas estar perto de outras crianças enquanto todos usam dispositivos eletrônicos não significa que existam interações ou relações verdadeiras.
A qualidade dessa conexão depende da forma como a tecnologia é utilizada: se as crianças estão usando os dispositivos juntas ou isoladamente e se os adultos participam para incentivar experiências compartilhadas,lúdicas e cooperativas.
Quando utilizados de forma consciente e com orientação adequada,os recursos digitais podem favorecer a aprendizagem colaborativa,a interação entre colegas e a socialização.
Para algumas crianças neurodivergentes ou em situação de vulnerabilidade,as brincadeiras e interações mediadas pela tecnologia também podem reduzir a pressão social,oferecer um ambiente mais confortável e facilitar o encontro com pessoas que compartilham interesses semelhantes.
O desafio,portanto,não é escolher entre brinquedos e tecnologia,mas preservar os benefícios do brincar enquanto se ensina as crianças a utilizar os recursos digitais como complemento das relações humanas — e não como substitutos.
Sugerir a eliminação completa da tecnologia dificilmente é uma alternativa realista ou prática para a maioria das famílias. Felizmente,existem diversos recursos que podem ajudar os pais a encontrar um equilíbrio entre o uso das telas e as brincadeiras. Veja três maneiras de começar:
Dê o exemplo
O filme mostra como a tecnologia se incorporou facilmente ao cotidiano das famílias,com os adultos recorrendo aos celulares até mesmo em momentos comuns do dia.
Mas as crianças aprendem não apenas com as regras estabelecidas pelos adultos,e sim com os comportamentos que eles demonstram. Guardar os dispositivos durante conversas,refeições,brincadeiras e momentos de sofrimento ou dificuldade ajuda a mostrar que os relacionamentos,às vezes,precisam de toda a nossa atenção.
Crie uma "dieta de brincadeiras"
Garanta que seu filho tenha uma "dieta" equilibrada,que inclua tempo de tela supervisionado,brincadeiras físicas,atividades ao ar livre,atividades criativas,brincadeiras com outras crianças e momentos de lazer mais tranquilos,como jogos de tabuleiro.
Uma ferramenta que pode ajudar nesse equilíbrio é criar um plano familiar de uso das mídias,definindo limites e objetivos para o uso da tecnologia. Essa abordagem equilibrada favorece o desenvolvimento integral da criança,estimula a aprendizagem e promove a saúde física e mental.
Não tenha medo de combinar tecnologia e brinquedos
"Toy Story 5" termina mostrando uma combinação entre a brincadeira imaginativa com brinquedos e a tecnologia integrada a essas atividades.
É verdade que há motivos para olhar essa representação com certo ceticismo,já que a franquia "Toy Story" movimenta um mercado extremamente lucrativo de produtos licenciados e experiências temáticas. Entre eles está até um tablet infantil inspirado no filme,voltado para crianças em idade pré-escolar,que pode funcionar como porta de entrada para outros produtos tecnológicos da marca.
Ainda assim,é importante que os pais saibam que,com supervisão e limites bem definidos,é possível incentivar um uso dos dispositivos que enriqueça as interações das crianças,promovendo a colaboração,a comunicação e as brincadeiras em conjunto.
Também é importante não deixar que a culpa tome conta. Afinal,todos nós usamos a tecnologia,seja para nos conectar com outras pessoas,relaxar,trabalhar ou até mesmo ler notícias.
No entanto,vale lembrar que nada substitui as conexões construídas no mundo real. Por isso,de vez em quando,levante os olhos da tela. Caso contrário,você pode acabar perdendo a passagem de uma tropa de 50 Buzz Lightyears correndo pela sua casa.
* Natalie Kirby é pós-doutoranda do Departamento de Psicologia da Universidade de Montreal e Audrey-Ann Deneault é professora assistente do Departamento de Psicologia da Universidade de Montreal.
* Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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