
A estação de São Conrado,onde fica a Rocinha: baixo movimento — Foto: Custodio Coimbra
GERADO EM: 19/07/2026 - 17:30
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A data era 30 de julho de 2016. A seis dias do início dos Jogos Olímpicos do Rio,o metrô finalmente chegava à Barra da Tijuca depois de quase 50 anos de discussões sobre traçados e muitas mudanças no contrato de concessão original assinado em 1998 pelo então governador Marcello Alencar. Às vésperas de completar uma década de operação,a Linha 4 circula entre a Praça General Osório,em Ipanema,o Jardim Oceânico com metade dos lugares oferecidos vazios,em média. Elogiado pelos usuários,o trajeto atrai 101 mil passageiros nos dias úteis,de acordo com a concessionária que administra o sistema. O número é um terço da capacidade estimada pelas autoridades na época de sua inauguração.
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As causas da baixa procura são apontadas por especialistas. Assim como outros meios de transporte público (trens,barcas,VLT e ônibus),o metrô sofreu com a queda de demanda na pandemia de Covid-19,que forçou o isolamento social e mudou hábitos da população,que passou a adotar o home office. O mundo digital trouxe também a concorrência dos aplicativos de transporte.
— O fato é que a demanda já estava superestimada antes da pandemia. Um ano depois da inauguração,80% dos ônibus fretados que atendem os condomínios deixaram de seguir até a Zona Sul e o Centro e passaram a parar no Jardim Oceânico. Então a população aderiu ao metrô,mas acredito que uma extensão futura até o terminal Alvorada poderia atrair mais passageiros — diz o presidente da Câmara Comunitária da Barra,Delair Drumbosck.
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A taxa média de ocupação das vagas oferecidas hoje entre Ipanema e Barra é de apenas 50%,enquanto chega a 90% na Linha 2 (Pavuna-Estácio) e a 70% na Linha 1 (Tijuca-General Osório). O presidente da concessionária MetrôRio,Guilherme Ramalho,identifica outras questões para a demanda ter ficado abaixo da prevista. Segundo ele,estudos previam a execução de um plano de racionalização com a revisão ou o corte de linhas de ônibus municipais que operam percursos coincidentes com o da Linha 4,o que não saiu do papel. O CEO cita ainda a falta da adoção de uma tarifa única,universalizada para toda a população em todos os meios públicos de transportes.

Estação São Conrado (Rocinha) é um dos destinos com menos demanda — Foto: Custódio Coimbra
Esses fatores explicariam,por exemplo,por que a estação São Conrado (Rocinha),que deveria ser a segunda em movimento da Linha 4,é um dos destinos com menos demanda,incluindo os das linhas 1 e 2.
— Havia um plano de integração entre os modais que não foi executado. É preciso racionalizar o transporte público e ter uma política de subsídios efetiva. Retomar investimentos públicos é essencial,inclusive em expansões — disse Ramalho.
O secretário municipal de Transportes,Jorge Arraes,informou que uma revisão de linhas de ônibus não está descartada já que a prefeitura está organizando novas licitações do serviço. Mas que esse tema só tende a avançar após a eleição para governador.
Procura pelo transporte à parte,a maioria dos usuários habituais da Linha 4 elogia o serviço:
— De carro perderia pelo menos uma hora no trânsito. De metrô até a faculdade,no Centro,gasto 35 minutos — conta a estudante de direito Juliana Sequeira.
Quem também usa outras linhas do metrô,como a aposentada Antonia Dias,de 75 anos,avalia que a Linha 4 ganha em conforto. Ela vai com frequência visitar a filha na Rocinha. Pega um ônibus até a Pavuna,onde embarca na Linha 2 e segue pelos demais trechos até estação São Conrado.
— A Linha 4 é muito rápida. Viajar na Linha 2 é mais difícil pois está sempre lotada — comparou.
Mas há quem critique o serviço:
— Às vezes,não há trens suficientes no fim da tarde porque composições são remanejadas para atender à demanda de quem precisa retornar para a Zona Norte. E as passagens são caríssimas (R$ 7,90 ou a tarifa social de R$ 5) — disse a economista Bruna Stein,de 41 anos.

Danielle Vieira,que conduziu o trem na primeira viagem da Linha 4,trabalha hoje no mesmo trajeto — Foto: Custódio Coimbra
Quem acompanha essa rotina da Linha 4 há dez anos,mas de uma outra perspectiva,é a piloto Daniele de Melo Paes Vieira,que fez a viagem inaugural. Hoje,ela trabalha à noite:
— Acompanhei os preparativos desde a chegada das composições à alfândega até a montagem delas,peça por peça.
Além de não ter atingido sua capacidade,o trajeto da Linha 4 continua incompleto. Na época da construção,repasses de recursos públicos para a obra foram suspensos diante de uma crise financeira do estado e de denúncias de que o orçamento de R$ 8,4 bilhões (valores da época) foi superfaturado. Foram esses dois fatores que levaram à suspensão da construção da estação da Gávea,a sexta e última do projeto,que foi retomada no ano passado.
Após muita negociação,foi fechado um acordo para tirar o projeto do papel,ainda que parcialmente. A empresa Metrô Rio,que já operava as linhas 1 e 2,assumiu o contrato e ganhou uma prorrogação da concessão de todo o sistema até 2048. Em troca,investirá R$ 600 milhões na obra. A parte do governo do estado será de R$ 97 milhões.
No entanto,apenas uma parte será concluída — a previsão é que até 2028. A ideia original era ter o trajeto Antero de Quental (Leblon),Gávea e São Conrado,nos dois sentidos. Agora só será implantada a ligação Gávea—São Conrado (onde terá que ser feita baldeação). O trecho entre Gávea—Antero de Quental foi engavetado mais uma vez porque precisaria do “tatuzão” que está enterrado bem no meio do caminho.

O trabalho de escavação na futura Estação Gávea do metrô avança com o auxílio de explosivos. Previsão é concluir essa etapa até janeiro de 2027 — Foto: Custódio Coimbra
Cerca de 70% das escavações do trecho entre Gávea e São Conrado já foram feitas com o auxílio de explosivos para abrir caminho em meio à rocha.
— O grande mérito de finalizar essa obra é a sinalização da retomada de investimentos para a expansão do metrô. Hoje,aguardamos a liberação de recursos do PAC (R$ 20 milhões) para desenvolver estudos de viabilidade da futura Linha 3 (Praça Quinze—Niterói—São Gonçalo). Ainda não há nada decidido sobre itinerários a partir da Gávea — diz a secretária estadual de Transportes,Priscila Sakalem.
A implantação da Linha 4 também valorizou moradias na Barra da Tijuca,principalmente no entorno do Jardim Oceânico,onde fica a estação do bairro.
— A avaliação do mercado é que houve avanços na qualidade de vida desse morador — avaliou o presidente da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi),Leonardo Mesquita.

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