
Fotografia aérea do El Ojo,ilha misteriosa da Argentina — Foto: Divulgação/Governo da Argentina
GERADO EM: 20/07/2026 - 09:14
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Uma ilha quase perfeitamente circular que parece girar sobre si mesma no Delta do Rio Paraná,na Argentina,vem despertando curiosidade de cientistas e alimentando teorias conspiratórias há mais de uma década. Conhecida como El Ojo ("O Olho",em espanhol),a formação flutuante de aproximadamente 120 metros de diâmetro ganhou fama mundial por seu formato incomum e pelo lento movimento de rotação observado em imagens de satélite e registros aéreos.
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Vista do alto,a ilha lembra uma pupila cercada por um anel de água. Embora vídeos publicados nas redes sociais frequentemente acelerem o fenômeno,pesquisadores e imagens históricas mostram que a estrutura muda gradualmente de posição dentro do lago onde está inserida.
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A formação fica em uma área de difícil acesso do Delta do Paraná,na província de Buenos Aires,entre os municípios de Campana e Escobar. Embora já aparecesse em imagens de satélite desde pelo menos 2003,o local só ganhou notoriedade internacional em 2016,quando o cineasta argentino Sergio Neuspiller o encontrou durante buscas por locações para um documentário.
A descoberta rapidamente deu origem a uma série de especulações. Moradores da região e entusiastas de teorias conspiratórias passaram a associar o El Ojo a bases nazistas secretas,portais dimensionais,objetos voadores não identificados e até à manifestação de uma divindade antiga. Nenhuma dessas hipóteses,no entanto,possui respaldo científico.
A explicação considerada mais provável pelos especialistas está relacionada à própria dinâmica do ambiente alagado. O El Ojo seria um embalsado,nome dado a ilhas flutuantes formadas pelo acúmulo de vegetação,raízes,juncos,galhos,sedimentos e matéria orgânica. Essa massa vegetal,suficientemente compacta para permanecer íntegra,flutua sobre a água.
Segundo essa hipótese,correntes permanentes do lago empurram lentamente a ilha,fazendo com que ela gire ao longo do tempo. O movimento constante também provoca erosão tanto nas bordas da ilha quanto nas margens do lago,o que ajudaria a explicar o formato quase perfeitamente circular de ambos.
Apesar de ser a teoria mais aceita,os cientistas ainda não sabem exatamente quando a formação surgiu nem quais processos levaram ao desenvolvimento de sua geometria incomum. Também não há estudos científicos conclusivos dedicados exclusivamente ao fenômeno.
Na tentativa de entender melhor o local,Neuspiller e o engenheiro hidráulico Ricardo Petroni chegaram a lançar,em 2016,uma campanha de financiamento coletivo para custear uma expedição científica. O plano incluía o uso de drones,mergulhos e coleta de amostras da vegetação e do solo. A arrecadação,porém,ficou abaixo da meta estabelecida,e a pesquisa acabou não sendo realizada nos moldes inicialmente previstos.
Outro aspecto que chamou atenção da equipe durante o reconhecimento aéreo foi a transparência da água ao redor da ilha. Segundo Neuspiller,ela parecia mais limpa e fria do que a encontrada em outras áreas do Delta do Paraná,tradicionalmente marcado por águas barrentas.

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