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Olimpíada de 2016 deu à Barra da Tijuca posição de destaque no turismo carioca

O bairro avistado a partir do Hotel Hilton Barra: intervenções promovidas para a Rio 2016 deram à região mais relevância no setor do turismo — Foto: Leo Martins/Agência O Globo/18-7-2016

A Rio-2016 exigiu a modernização e a expansão da rede hoteleira da cidade. Passados dez anos,como efeito das mudanças provocadas pelo megaevento esportivo,a Barra da Tijuca — bairro onde foi construído o Parque Olímpico — ganhou relevância na indústria do turismo carioca,com mais estrutura para receber turistas nacionais e estrangeiros. Ao mesmo tempo,a repercussão internacional dos Jogos Olímpicos ajudou a atrair mais feiras,exposições e shows,agendados em equipamentos como o Riocentro e a Marina da Glória,ambos também modernizados para a Olimpíada.

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— Aumentar a oferta de vagas na rede hoteleira era um grande desafio. Em 2009,a cidade tinha 29 mil quartos e nos comprometemos com 40 mil,que era a quantidade mínima exigida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para uma cidade receber o evento. Chegamos a 62 mil quartos em 2016,depois parte foi convertida em residenciais. Hoje temos 44.452 quartos — afirma o presidente do HotéisRio,Alfredo Lopes.

O que viabilizou esse aumento foi uma lei aprovada na Câmara do Rio,oferecendo incentivos fiscais para investidores do setor. Além disso,em ruas internas da Barra da Tijuca,por exemplo,foi autorizada a construção de novos hotéis com gabaritos maiores em comparação aos de imóveis residenciais.

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Integração com a cidade

Alfredo Lopes acrescenta que a chegada do Metrô à Barra também favoreceu a expansão hoteleira na região,pois permitiu deslocamento mais rápido entre a atual Zona Sudoeste e os principais pontos turísticos no Centro e na Zona Sul.

— Se,hoje,promovemos o Todo Mundo no Rio,em Copacabana,que trouxe Shakira,Lady Gaga e Madonna para cantar na praia,ou o Rio Open de Tênis,no Jockey Club,foi porque mostramos ser possível equilibrar a rotina da cidade com grandes eventos — observa Pedro Guimarães,presidente do Conselho de Turismo da Associação Comercial e da Associação dos promotores de eventos de entretenimento do Rio de Janeiro.

Segundo o Visit Rio,fundação privada especializada no desenvolvimento do setor,além da projeção da cidade proporcionada pela realização dos Jogos Olímpicos,a retomada do protagonismo do Aeroporto Internacional Tom Jobim nos últimos anos,com o aumento de voos com destino ao Rio,também tem sua parcela no incremento do mercado. A projeção é que 19 milhões de passageiros passem pelo Galeão este ano.

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— As Olimpíadas foram um divisor de águas para a imagem da cidade no exterior. Os avanços são visíveis. Isso aparece,no calendário de eventos. Projetamos chegar a um crescimento de cerca de 20% nas atividades em 2026,em comparação com 2025 – avalia Luiz Strauss,presidente-executivo da fundação.

Ainda de acordo com o Visit Rio,em 2025 a cidade recebeu 2,1 milhões de turistas estrangeiros — o que já foi um recorde. Na comparação com o 1,4 milhão recebido em 2016,o aumento foi de 50%. Na área esportiva,pelo menos 11 grandes torneios internacionais foram sediados no Rio no ano passado,integralmente ou em parte.

A próxima aposta vai ser no desempenho da rede hoteleira durante a Copa do Mundo feminina,entre junho e julho de 2027,com o Maracanã como uma das sedes do torneio e palco da final. Alfredo Lopes informa que as diárias em dólar já previstas para esse período no Rio estão 30% maiores,comparadas às das Olimpíadas.

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O setor também avalia que esse bom momento é responsável pela decisão de duas grandes bandeiras investirem na cidade,nesse caso na Zona Sul. Está prevista para 2029 a inauguração do primeiro Four Seasons do Rio,em Ipanema. O empreendimento vai ocupar o prédio do antigo Hotel Marina Palace,que fechou em 2017 para uma revitalização que jamais foi concluida. Agora,o retrofit tem custo estimado de R$ 600 milhões. Todos os quartos terão vista para o mar. O projeto prevê terraço com piscina,spa,academias e restaurantes.

Antes disso,em outubro deste ano,é esperada a inauguração de uma unidade da rede Sofitel na Avenida Vieira Souto,no endereço onde funcionava o Hotel Caesar Palace,que fechou as portas em 2019.

Ampliação do Riocentro

Na região da Barra da Tijuca,sete hotéis entraram em operação a partir de 2016 no entorno do Riocentro e do Parque Olímpico. Essas instalações servem de hospedagem para participantes de feiras e exposições no centro de convenções e para espectadores de shows realizados na região,como os da edição do Rock in Rio deste ano,que acontece em setembro.

A facilidade de acomodação conta a favor na captação de eventos internacionais de grande porte para a cidade,explica Milena Palumbo,CEO da multinacional francesa GL Events para a América Latina,concessionária do Riocentro.

Para a Olimpíada,a prefeitura,proprietária do imóvel,negociou uma ampliação do espaço,que recebeu parte das competições,como as lutas de boxe. Ao fim dos Jogos,o ambiente foi transformado em um auditório. Até 2027,oito grandes congressos internacionais vão passar pelo Riocentro,somando 49 mil participantes. O maior deles,o Orthodontic Congress (IOC),reuniu 16 mil pessoas no fim do ano passado. A própria concessionária construiu um hotel com 306 apartamentos,em investimento que não era previsto no contrato,bem em frente a um dos acessos ao complexo.

A direção do Riocentro chama a atenção para a importância desses eventos corporativos: uma pesquisa da International Congress and Convention Association (ICCA),realizada no ano passado,estimou que o turista de negócios,que representa 49% dos visitantes internacionais,gasta em média três vezes mais do que os que desembarcam a lazer.

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