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'São dias bem místicos aqui na Baía de Guanabara. Dá um friozinho na barriga', diz Martine Grael, capitã do barco brasileiro na Sail GP

Martine Grael é capitã do barco brasileiro na Sail GP — Foto: Guito Moreto RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Martine Grael é capitã do barco brasileiro na Sail GP — Foto: Guito Moreto

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GERADO EM: 11/04/2026 - 18:25

Martine Grael Lidera Equipe Brasileira na Sail GP na Baía de Guanabara

Martine Grael,bicampeã olímpica,retorna à Baía de Guanabara como capitã do barco brasileiro na Sail GP,uma competição de alta tecnologia na vela. Ela descreve a experiência como mística,apesar de desafios técnicos no primeiro dia. Martine celebra a proximidade da família e amigos,mas lida com a saudade de casa e a logística complexa de morar na Itália. A competição destaca o visual carioca,e Martine reflete sobre a evolução pessoal e profissional desde o Rio-2016.

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Dez anos depois de conquistar o ouro olímpico na Baía de Guanabara,a bicampeã Martine Grael retornou ao mesmo cenário mais madura,mais experiente e sob novo desafio: capitanear o barco brasileiro da Sail GP,uma espécie de Fórmula 1 da Vela,com catamarãs tecnológicos a mais de 100km/h,que desembarcou no Rio de Janeiro neste fim de semana para a quarta etapa da competição.

Totalmente diferente do ambiente de 2016,quando cruzou a linha de chegada,na Praia do Flamengo,ao lado de Kahena Kunze,com o barco do 49er FX empurrado somente pelo vento. O friozinho na barriga de correr novamente no quintal de casa,contudo,é o de sempre.

— São dias bem místicos aqui na Baía de Guanabara. Dá um friozinho na barriga. Você tem que observar muito para entender o vento,é tudo muito visual — disse Martine,dias antes de “cair na água” ao lado da equipe formada por brasileiros,ingleses e dinamarqueses. — Em 2016,era um barquinho pequenininho. Esse aqui é um “carrão”. Muda completamente a dinâmica.

Barco brasileiro sofreu com problemas técnicos e disputou apenas duas regatas do primeiro dia da etapa do Rio da Sail GP — Foto: Guito Moreto

Problemas no primeiro dia

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Neste sábado,no primeiro dia de competição,Martine quase não teve o gostinho de sentir o vento da Guanabara e ficou o sabor de frustração. Com problemas de telemetria,o Mubadala Brazil ficou fora das duas primeiras regatas. Nas outras duas,o time terminou em décimo e oitavo lugares,respectivamente — os australianos lideram. Neste domingo,a equipe poderá disputar as três regatas previstas a partir das 15h. Os três melhores fazem a regata final. O barco brasileiro chegou ao Rio,após três etapas (Perth,Auckland e Sydney) na 11 ª posição. O time britânico lidera.

Independentemente dos resultados,Martine comemora o simples fato de poder trazer a Sail GP para perto da família,dos amigos e dos amantes da vela. Acostumada a disputar regatas no meio do mar,com gritos de incentivo abafados pelos ventos e pela distância,ela pôde sentir mais a aproximação da torcida.

— Voltar a competir na Baía de Guanabara é muito importante para mim. É um privilégio estar aqui no Rio — afirmou Martine,que,desta vez,vai competir contra a ex-parceira de Jogos Olímpicos e amiga Kahena Kunze,atualmente parte da equipe da Dinamarca. — Acho que dentro da gente parece que foi ontem (o Rio-2016). Você envelhece na pele,mas a cabeça continua lá,com 20 e poucos anos.

O privilégio é de todos. O primeiro dia de competições já deu o tom de como o visual carioca complementa perfeitamente a categoria. A largada das regatas é um dos pontos altos da Sail GP em mar brasileiro,com a paisagem dos pontos turísticos cariocas ao fundo.

—A largada é bem curtinha,bem na frente,debaixo do nariz do Pão de Açúcar — disse a velejadora.

A nova etapa na carreira exigiu algumas mudanças. A principal delas é a distância de casa. À frente do barco brasileiro desde a estreia do time nacional na temporada passada da Sail GP,Martine optou por fincar residência na Itália. Tanto para facilitar a logística da categoria (as 13 etapas espalhadas pelo mundo vão desde a Oceania à Europa) quanto para ficar perto do namorado italiano.

A saudade do lar,no entanto,fala alto. Martine,que disputa a Sail GP ao lado irmão Marco,até tentou aproveitar a casa dos pais em Niterói durante a semana,mas a correria dos inúmeros compromissos da promoção do evento não permitiu.

Entre entrevistas,clínicas e agenda com patrocinadores,a velejadora optou por se “mudar” para o hotel da equipe,em Copacabana.

—Morar longe é difícil. Sou criada aqui,fui formada aqui,meus amigos estão aqui. E é difícil quem é de fora entender esse caos. Só a gente entende — conta.

E mesmo hospedada no bairro mais turístico da cidade,mal deu tempo de apresentar o caos carioca aos gringos.

— Não deu para nada. Teve dia que não consegui responder mensagens. Eu estou absolutamente frita de tantos compromissos. Está sendo diferente,um pouco. Geralmente,antes das etapas,eu tento fazer um mix de relax total e foco muito forte na parte técnica. Aqui está sendo diferente justamente por ser no Rio — disse.

Longe de casa

Martine,por exemplo,só teve o primeiro contato com a água,de fato,na última sexta-feira. Ao contrário das categorias mais tradicionais da vela,na Sail GP as equipes têm apenas um dia de treinos na água. Todo o resto da estratégia é discutido em reuniões diversas.

Esse tem sido um dos desafios para quem passou mais de uma década se dedicando aos ciclos olímpicos,com treinamentos diários no mar.

— Para um atleta de alta performance,isso é muito diferente — admite.

Acostumada a dividir as decisões no 49er FX com Kahena,Martine sabe que sua missão agora é outra. No comando do Mubadala Brazil,ela vive o desafio da liderança de um time em construção — em 2025,a equipe terminou em penúltimo lugar,entre doze barcos,em sua estreia no circuito mundial. Em apenas sua segunda temporada como capitã,ela reconhece que a construção de confiança dentro da equipe é um processo gradual:

— A confiança não nasce pronta. É uma coisa que você constrói aos pouquinhos,sendo constante.

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