Corredor da Câmara com posters dos candidatos Soraya Santos (esquerda),Adriana Ventura (centro) e Gilson Daniel (direita) a uma vaga ao TCU — Foto: Letícia Pille

Corredor da Câmara com posters dos candidatos Soraya Santos (esquerda),Adriana Ventura (centro) e Gilson Daniel (direita) a uma vaga ao TCU — Foto: Letícia Pille
GERADO EM: 13/04/2026 - 22:16
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A oposição na Câmara dos Deputados intensificou,nos últimos dias,as articulações para lançar um nome único na disputa pela vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU),em uma tentativa de enfrentar o deputado Odair Cunha (PT),candidato apoiado pelo governo e pelo presidente da Casa,Hugo Motta (Republicanos-PB).
A vaga em disputa é a do ministro Aroldo Cedraz,que se aposentou em fevereiro deste ano. Ao todo,sete parlamentares disputam a indicação: Danilo Forte (PP-CE); Hugo Leal (PSD-RJ); Elmar Nascimento (União Brasil-BA); Gilson Daniel (Podemos-ES); Odair Cunha (PT-MG); Soraya Santos (PL-RJ); e Adriana Ventura (Novo-SP).
O movimento ocorre após a Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara aprovar,na segunda-feira,todos os candidatos aptos à disputa,após a realização de sabatina com os indicados.
Já a eleição está marcada para a tarde desta terça-feira,em turno único e com votação secreta,modelo que favorece,segundo deportados,Odair Cunha,uma vez que os votos da oposição podem ficar pulverizados.
Uma liderança oposicionista afirmou,sob reserva,que deve se reunir nesta terça-feira com outros candidatos e interlocutores de partidos para tentar construir uma candidatura de consenso capaz de fazer frente ao nome petista.
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Também sob reserva,candidatos da oposição afirmam que têm sido procurados e que vêm conversando entre si para tratar da possibilidade de unificação das candidaturas contra Odair Cunha.
Apesar disso,nos bastidores,a avaliação é de que os próprios candidatos da oposição ainda não estão convencidos da necessidade de abrir mão da disputa em favor de um nome único.
A leitura entre parlamentares é de que,embora haja discurso público de unidade,prevalece a lógica individual de que todos querem derrotar Odair Cunha,mas sem abrir espaço para um adversário dentro do próprio campo.
Na prática,segundo relatos,nenhum dos postulantes demonstra disposição real de se retirar para viabilizar um “denominador comum”. A resistência é atribuída ao cálculo político de curto prazo e ao receio de fortalecer um concorrente direto.
Um dos candidatos ouvidos pelo GLOBO avalia que a chance de unificação é baixa e que os nomes colocados estão muito investidos nas próprias candidaturas.
Por outro lado,uma liderança partidária diretamente envolvida nas articulações afirma que ainda há espaço para uma virada de última hora. A avaliação é de que já houve situações semelhantes,como na CPI do INSS,quando o governo contava com a eleição do presidente e do relator,mas acabou derrotado após falhas de articulação nos momentos finais.
Segundo esse interlocutor,a expectativa é que a oposição possa repetir uma movimentação semelhante,com articulação concentrada nas horas finais antes da votação.
A avaliação entre parlamentares é que a fragmentação pode favorecer o Palácio do Planalto,que já atua para consolidar uma base de apoio em torno de seu indicado. Aliados do governo afirmam contar com cerca de 230 votos,em uma estimativa que leva em consideração o apoio formal de partidos que já declararam respaldo à candidatura de Odair Cunha.
Apesar disso,integrantes da base governista admitem receio de que uma articulação de última hora da oposição possa prosperar,especialmente em razão do voto secreto,que abre margem para dissidências e dificulta o controle sobre os apoios. Um interlocutor do PT resumiu a avaliação ao afirmar que o modelo “facilita traições”.
O apoio a Odair Cunha,é resultado de um acordo político costurado ainda em 2024,que envolveu o respaldo da bancada do PT à eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara,com aval do então presidente da Casa,Arthur Lira (PP-AL).
A escolha também é vista como um teste de força para Hugo Motta. Nos bastidores,a definição da vaga é tratada como um termômetro da capacidade do presidente da Câmara de cumprir o acordo firmado com o PT para viabilizar a eleição de Cunha.
A avaliação entre parlamentares é que uma eventual derrota de Odair em plenário representaria um revés direto para Motta,ampliando questionamentos sobre sua condução política. Por outro lado,a vitória do petista seria interpretada como demonstração de força.
Um dos candidatos à vaga afirmou,que já havia tentado articular anteriormente um encontro para definir um “denominador comum” entre os nomes da oposição,mas não foi ouvido. Agora,segundo ele,uma eventual desistência às vésperas da eleição pode ter efeito negativo.
Já o deputado Elmar Nascimento (União-BA) afirmou que as conversas seguem até o momento da votação.
— Quem quer apoio tem que saber apoiar — declarou,ao indicar resistência a uma unificação forçada e defender que a definição fique a cargo do “plenário soberano”.
A mesma avaliação foi repetida durante sua fala na sabatina,ao mesmo tempo que reforçava sua disposição para compor com outras forças na tentativa de derrotar Odair Cunha

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