
Miriam Leitao entrevista o embaixador Mauricio Lyrio — Foto: Mariangela Hamu
GERADO EM: 10/06/2026 - 21:06
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Principal negociador brasileiro no contencioso comercial com os Estados Unidos desde o início da investigação aberta por Washington no ano passado,o embaixador Mauricio Lyrio avalia que a ameaça de novas tarifas contra o Brasil é um erro também do ponto de vista estratégico para os americanos. Secretário de Clima,Energia e Meio Ambiente do Itamaraty,ele argumenta que penalizar um país que já registra déficit na relação comercial bilateral envia um sinal contraditório ao restante do mundo. Em entrevista ao meu programa na GloboNews,Lyrio afirma que o governo brasileiro trabalha para evitar a imposição da tarifa adicional de 25% prevista na investigação da Seção 301,mas reconhece que as proibições de importação relacionadas ao trabalho forçado,que atingem cerca de 60 países e a União Europeia,são mais difíceis de reverter.
Miriam: Na semana passada,o Brasil levou dois sustos. Primeiro,com o anúncio das medidas decorrentes da investigação da Seção 301,focada exclusivamente no país. Depois,com a investigação sobre trabalho forçado,que atinge cerca de 60 países. Os dois processos resultaram em recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para a aplicação de tarifas de 25% e 12,5%,respectivamente,percentuais que podem ser somados. Diante da ameaça de um novo supertarifaço americano,como o Brasil deve agir?
Mauricio Lyrio: O governo brasileiro tem transmitido ao governo americano (o presidente Lula,o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Mauro Vieira) o fato de que é injusto que o Brasil seja penalizado com tarifas. Na verdade,o Brasil acumula déficit comerciais com os Estados Unidos muito vultosos. Em 16 anos,são US$ 450 bilhões. E a filosofia da política comercial americana é: “já que eu tenho déficit com outros países,eu vou botar tarifas para reequilibrar o comércio”.
Só que o Brasil já tem déficit. Antes de ser um alvo de tarifas,o Brasil deveria ser um exemplo para os demais países,que os Estados Unidos mostrariam que deveriam ser “acumuladores de déficit”. Penalizar um país como o Brasil,que tem já déficit com os Estados Unidos,é um erro,inclusive estratégico,porque qual é a mensagem que você passa aos demais países? Se eu tenho superávit com os Estados Unidos e sei que os países que têm déficit também serão penalizados com tarifas,eu não tenho incentivo para reduzir meu déficit com os Estados Unidos. Isso tem sido uma mensagem transmitida em todos os níveis do governo e também um elemento mais estrutural.
O Brasil sempre teve um comércio muito equilibrado. Há 30 ou 40 anos,o Brasil tinha um comércio que era equilibrado: basicamente,um quarto para a América do Norte,principalmente os Estados Unidos; um quarto para a Europa; um quarto para a América Latina; e um quarto para a Ásia e a África. Isso era muito bom porque nos deixava menos vulneráveis a choques internacionais,já que os mercados eram espalhados pelo mundo.
O que tem acontecido no comércio exterior brasileiro é uma redução muito significativa da participação dos Estados Unidos,que saiu de 25% para algo entre 11% e 12%. No ano passado,pela primeira vez na história recente,os Estados Unidos representaram menos de 10% do mercado externo do Brasil,já como efeito das tarifas.
E nós estamos dizendo isso aos Estados Unidos. Como disse o presidente Lula,nós queremos mais comércio,não menos comércio. E uma enxurrada de tarifas reduz ainda mais a participação.
O Brasil não quer,por exemplo,ficar dependente de um continente só e hoje há uma concentração grande de exportações para a Ásia. Daí fizemos o acordo com a União Europeia,que é um comércio mais equilibrado. Mas esse comércio mais equilibrado também pressupõe mais comércio que nos Estados Unidos. E aí é preciso ter uma visão construtiva,não punitiva. A sanção é uma visão punitiva. Esse é o discurso que nós temos repetido desde março do ano passado.
Quando a gente apresenta os dados mostrando que o Brasil é deficitário no comércio com os Estados Unidos e,portanto,não deveria ser alvo dessas medidas,o que eles respondem? No começo,havia a sensação de que o presidente Donald Trump não conhecia esses números,porque falava do Brasil como se os Estados Unidos tivessem déficit na relação bilateral. Mas,agora,o que o corpo técnico envolvido nas negociações tem dito?
Inicialmente,os Estados Unidos até consideraram isso,tanto que o Brasil ficou na faixa mais baixa de tarifa. Eu lembro na missão em março do ano passado,o vice-presidente falou com o secretário de comércio,Howard Lutnick,o ministro Mauro Vieira falou com o Jamieson Greer,que é o embaixador,do escritório comercial,o USTR,e essa mensagem foi passada. Tanto que o Brasil ficou na faixa que era o mínimo para qualquer país com ou sem superávit com os Estados Unidos,que era de 10%. É lógico que a partir de julho,com a politização do tema,a carta do presidente Trump é muito explicita no elemento político para determinar tarifas,se iniciou um processo não só a tarifa alta de 40% adicional,mas o processo na seção 301,dada a fragilidade também da tarifa de 40%,que foi derrubada na Suprema Corte Americana.
Essas investigações da 301 são uma forma de fazer um novo tarifaço agora com mais sustentação na lei americana?
Foi feito com essa visão. A lei da reciprocidade já era frágil em vários aspectos,tanto que a Suprema Corte derrubou. Mas no caso do Brasil era particularmente frágil,porque se é uma lei de emergência econômica e é justamente porque continua acumulando déficit,mas o Brasil está contribuindo para evitar emergência econômica,não poderia ser penalizado. A tarifa de 40% era menos justificável ainda. Mas aí o que que o governo americano fez? Iniciou a 301 contra o Brasil porque tem bases legais mais sólidas. E no fundo,como é um critério muito ambíguo e vago,porque o que que é a 301 diz assim se interesses americanos são prejudicados de forma unreasonable,não razoáveis,ou discriminatórias - e discriminatórias também é um conceito muito,vamos dizer assim,interpretável - os Estados Unidos podem impor tarifas ao país alvejado. Essa é a argumentação e os Estados Unidos levantaram seis pontos e todos eles nós rebatemos,fizemos inclusive uma missão agora em abril para responder às 80 perguntas do governo americano,ou seja,em detalhe sobre todos os temas,foi uma missão com vice-ministros,secretários do governo brasileiro. E a nosso ver,todas as perguntas foram efetivamente rebatidas. A decisão também do governo americano de prosseguir com a 301 é porque acaba sendo sempre um instrumento de barganha para arrancar mais concessões do outro país,tem esse elemento também. E os Estados Unidos usam a seção 301 como instrumento de defesa comercial para tentar buscar aberturas adicionais de mercados dos outros países.
Entre os seis eixos da investigação e as cerca de 80 perguntas apresentadas pelos Estados Unidos,há temas como o Pix,que os americanos alegam representar uma forma de competição com empresas e produtos do país. Mas um ponto que me intriga especialmente é o desmatamento. Primeiro porque a agenda ambiental não parece ser uma prioridade deste governo americano. Segundo porque o Brasil tem apresentado resultados concretos no combate ao desmatamento na atual gestão. Que informações e indicadores o governo brasileiro tem levado para as negociações? E quais são os dados mais recentes sobre essa área,já que o senhor também está à frente da Secretaria de Clima e participa das negociações da COP? Como o Brasil responde à acusação de que o desmatamento estaria sendo usado para gerar condições comerciais desleais em relação aos Estados Unidos?
A acusação contra o Pix é totalmente injustificada,porque a acusação principal na 301 é que há uma acumulação de funções pelo Banco Central entre operador e regulador. Mas só pode haver conflito de interesse,se for uma entidade privada com fins lucrativos. Nesse caso,é um serviço público,é um serviço de inclusão da população brasileira no sistema financeiro,oferecido por uma instituição pública que é o Banco Central. A acusação do Pix realmente não faz o menor sentido e nós temos rebatido isso de forma muito dura.
Mas há algum sinal de que o governo americano pode recuar nesse ponto do Pix? Eles têm entendido que a gente está fazendo é uma oferta de serviço público para aumento da inclusão financeira?
Essa é a nossa expectativa. É lógico que há interesses envolvidos,a concorrência dos cartões de crédito,o fato de que o Pix também,de certa maneira é uma afirmação de soberania monetária,brasileira,que também é utilizado em outros países. Nós sabemos,turistas brasileiros utilizam em outros países. há interesses internacionais que se opõem nos Estados Unidos há um modelo tão bem-sucedido de inclusão financeira como o Pix. Nós esperamos que seja compreendido pelos Estados Unidos,esse elemento central de que é um serviço público sem fins lucrativos,porque é uma infraestrutura pública para a população. Eu acho que vai acabar prevalecendo o nosso argumento,pois não há como rebater isso.
No caso do desmatamento,é igualmente estarrecedor. Porque os esforços do governo brasileiro em termos de redução de desmatamento são evidentes. Na missão que nós fizemos em abril,foi o presidente do Serviço Florestal Brasileiro,Garo Batmanian,e rebateu,o próprio ministro João Paulo Capobianco tem rebatido. Os números são claros de redução. E honestamente,no governo anterior,em que não havia essa política de combate ao desmatamento,para dizer o mínimo,o mesmo governo Trump não fez nenhuma acusação ao Brasil em relação ao desmatamento. Ou seja,do ponto de vista da lógica do argumento,não faz sentido justamente penalizar o governo que está combatendo o desmatamento,não o governo que não combate ao desmatamento. É completamente sem sentido.
O que está por trás também é a concorrência na área agrícola. É o fato de que a o Brasil é um enorme exportador na área agrícola e os Estados Unidos são um competidor em terceiros mercados e teme o fato que o Brasil é uma potência que ganha mercados.
Agora,nós temos,a moratória da soja na Floresta Amazônica,é uma moratória que tem sobrevivido e esperamos que sobreviva. Apesar de estar sob ataque,ela existe. Ou seja,não há incompatibilidade,até porque o Brasil tem terras reaproveitáveis em grande quantidade,e tem aumentado a produtividade por hectare. Essa é uma acusação que também não faz o menor sentido,justamente no momento em que o governo brasileiro deveria ser louvado,deveria ser elogiado e não penalizado em termos de desmatamento.
O ministro Dario Durigan disse que o ministro Márcio Elias Rosa,do MDIC,vai ter um contato agora com Jamieson Greer,o representante comercial da Casa Branca. O que o Brasil leva nessa nova etapa da conversa?
Já houve conversas do ministro Márcio Rosa,inclusive,participei de umas conversas com vídeo também anteriormente,houve contatos e deve haver novos contatos. O Brasil tem alguns elementos a apresentar. Eu não posso entrar em detalhes sobre isso,mas a ideia,mais uma vez,é convencer o governo americano que havia da busca de interesses específicos de forma construtiva,sejam eventuais concessões em algumas áreas é o melhor caminho e não a penalização por meio de tarifa. Se o resultado do processo for realmente a implementação de tarifas,de 25% a partir de 15 de julho será implementada,o que nós queremos evitar. E o ministro Márcio Rosa também está muito engajado nisso. essas conversas tem o objetivo de evitar a imposição da tarifa de 25%.
Estamos há quase um ano lidando com esse processo,desde julho do ano passado. Nesse período,o Brasil mobilizou todos os instrumentos de negociação disponíveis. Houve missões de alto nível aos Estados Unidos,conversas entre ministros,apresentação de dados e esclarecimentos técnicos. Os empresários também participaram,prestaram depoimentos e defenderam seus interesses. Ou seja,houve um esforço amplo do governo e do setor privado para responder às acusações e tentar evitar medidas mais duras. Agora falta cerca de um mês para a decisão final. O que ainda pode ser feito nesse período? E,realisticamente,quais são as chances de o Brasil conseguir reverter ou ao menos amenizar essas recomendações?
O processo não é simples. Eles substituíram aquela tarifa de 10%,que era tarifa base da lei de reciprocidade,por um processo na 301 num tema que é trabalho forçado,na verdade,a existência ou não de legislação para proibir produtos que foram produzidos com trabalho forçado,isso foi uma investigação e iniciada contra vários países,e aí não tem a ver com a qualidade da legislação trabalhista e da implementação da legislação dos países. Por exemplo,Noruega,Suíça,e o próprio Brasil com uma legislação trabalhista muito avançada. Não tem a ver com isso. Tem a ver com o fato de que é difícil na verdade fazer uma triagem da importação de produtos de outros países se não há uma extraterritorialidade para fiscalizar o outro país. Os Estados Unidos aproveitaram uma área que é muito difícil de implementação para dizer: "Olha,agora eu quero que esses países façam o que é muito pouco factível e com isso estabelecer uma tarifa entre 10% e 12,5% que substitui aquela tarifa de 10%. E isso também vai entrar em vigor e isso será aplicado ao Brasil."
Em relação a essa tarifa,é muito difícil imaginar que possa cair porque ela é aplicada a todos. É como antiga de 10%,ninguém foi exceção aos 10%. Agora,com relação à tarifa de 25%,nós estamos fazendo o máximo justamente para evitar que seja imposta.
A de 25% é a especifica do Brasil,que trata de Pix,desmatamento,pirataria,entre outros temas.
O presidente Lula tem se engajado muito nos contatos com o presidente Trump. É uma das prioridades,das conversas que tem tido com o ministro Mauro Vieira,sempre com o embaixador Greer,com o secretário de estado.
Mas agora faltam semanas...
Nós temos a expectativa de que essas conversas e a razoabilidade prevalecerão,mas não é algo simples,não é algo que se possa contar que vai acontecer.
Se houver um encontro do presidente Lula com o presidente Trump no G7,que vai ser na semana que vem,será que é possível dissolver um pouco esse mal-estar com o Brasil ou adiar,pelo menos,a entrada em vigor da tarifa para que possa haver mais conversas?
Essa é uma possibilidade. Não está confirmado o encontro,até porque as agendas não necessariamente coincidem. Eu lembro que,na última reunião do G7,no Canadá,o presidente Trump ficou só para o início e foi embora imediatamente. Nem houve momento de sobreposição de agendas entre os dois presidentes. Depende um pouco da agenda dos dois presidentes,mas eu não tenho dúvida de que se o presidente Lula estiver com o presidente Trump também esse assunto será tratado. Esse é um dos assuntos que ele tem considerado prioritários na pauta bilateral.
O que se entende é que o Brasil fez um esforço e os EUA estão usando tudo isso como pretexto para recriar esse muro tarifário que foi dissolvido pela Suprema Corte americana. Mas o que o Brasil pode apresentar como moeda de troca? O Brasil tem algumas tarifas que são muito altas,o etanol é uma velha queixa deles. Tem bens de capital,máquinas,equipamentos,que a gente vende para eles,mas eles também vendem para nós. Tem alguma coisa que a gente possa oferecer para redução de tarifas?
Eu prefiro não entrar nos detalhes.
Qual é a sua estratégia?
A estratégia é determinada pelo presidente Lula em coordenação com os ministros. O que eu posso dizer é que há uma boa vontade do governo brasileiro de fazer um esforço. Isso quer dizer sim,acesso a mercados. Agora,isso é algo que obviamente também será feito sem prejuízo da preservação de setores importantes da economia brasileira.
Esse esforço existe,mas também tem os seus limites. Nós temos compromissos no Mercosul. Nós temos um elemento fundamental que é o nosso compromisso com a OMC,em que as concessões que nós fazemos são sempre com o elemento nação mais favorecido,porque a gente não quer violar as normas da OMC,porque violaria a própria legislação brasileira. Há uma série de condicionantes na hora de negociar eventuais tarifas com os Estados Unidos que têm que ser levadas em conta.
Entendo que essa é uma decisão estratégica de governo e que,em última instância,depende de uma avaliação do presidente da República. Mas,do ponto de vista técnico das negociações,os minerais críticos podem ser um elemento para melhorar a relação entre Brasil e Estados Unidos? O senhor mencionou no início da entrevista que o comércio entre os dois países vem perdendo dinamismo,apesar da longa parceria histórica. Nesse contexto,os minerais críticos podem servir como um instrumento para ampliar a cooperação econômica e aproximar os interesses dos dois países?
Minerais críticos são um dos elementos centrais hoje como oportunidade para o Brasil nessa nova fase. E o fato é que o Brasil tem uma posição muito privilegiada. É a primeira reserva de nióbio,é a segunda em terras raras,é a terceira ou segunda em níquel. Ou seja,o Brasil está no centro disso. E o Brasil tem a grande virtude de ter boas relações com todos os países e não ter alianças automáticas,que é absolutamente fundamental,justamente para a gente preservar o nosso espaço de negociação e defender o interesse do Brasil,não de outros países.
Com os Estados Unidos tem acontecido,basta ver a transferência de propriedade de algumas das minas principais. Acho que deveria haver da parte do governo americano o reconhecimento de que o governo brasileiro tem respeitado,eu diria,transferências significativas de reservas para empresas de origem americana,como também têm transferências,o caso do níquel,Anglo American comprada provavelmente por empresa de capital chinês. Ou seja,o governo brasileiro tem sido nesse aspecto muito respeitoso da legislação em relação a essas transferências,inclusive ativos importantes que passam a ser também de propriedade de empresas estrangeiras. Porque o que o Brasil quer é o processamento. E aí tem o problema também da nossa legislação. Foi aprovado na Câmara o projeto de lei para a política específica para minerais críticos,que é muito importante,está no Senado e isso nos dá também mais capacidade justamente de negociar a agregação no Brasil. Também não faz sentido voltarmos ao modelo extrativista colonial em que nós vendemos matéria bruta,porque essas matérias hoje são centrais,especificamente terras raras.
Na tabela períodica,terras raras são aqueles últimos dos elementos mais pesados,hoje são cruciais para empreendimentos centrais da economia e da segurança internacional,desde miniaturização,resistência,radiação,otimização de sistemas e sensores,a fabricação de um celular,a possibilidade de reduzir peso,tudo isso passa por minerais críticos. Ou seja,centro hoje da economia e da segurança internacional.
O Brasil precisa aproveitar isso,ter um diálogo positivo com os Estados Unidos no tema,mas ao mesmo tempo é preciso haver a contrapartida. Se há acesso a reservas brasileiras,é preciso também haver investimento na agregação no Brasil. Esse é um elemento que aproxima Brasil e Estados Unidos. Mas é preciso haver da parte também do governo americano o reconhecimento de que esse acesso deveria merecer também ao Brasil um tratamento mais adequado em termos de tarifas. esse é outro elemento que desaconselha uma política de tarifas na área comercial.
A China também tem muitas reservas de minerais críticos. Com ela,como é que é a conversa?
Também acho que o Brasil tem que ter uma conversa mais sobre a agregação. É o caso do níquel. A China tem grandes reservas de níquel no Brasil.
É atrair investimentos para agregar valor no Brasil?
Isso. É lógico que há países que adotaram linhas drásticas. Indonésia proibiu exportação de níquel e conseguiu de fato atrair a uma empresa,a Hyundai,para produzir baterias,que bateria,basicamente entre outros minerais críticos,lítio e níquel. A Indonésia tem a maior reserva de níquel e conseguiu atrair para produzir baterias lá. Não vejo o Brasil,nesse momento,adotando políticas tão restritivas. Não é o caso. Nós queremos atrair os investimentos estrangeiros,mas também de maneira cooperativa com alguns países.
No caso da China,acho que seria interessante para o Brasil,como queremos fazer com os Estados Unidos. A China tem grandes reservas minerais críticos,terras raras,eles têm 40%. E tem todo o processamento,mas também seria importante,não só para terras raras,mas para lítio,níquel,cobalto,para outros minerais ter agregação no Brasil. Isso pressupõe ou exige uma parceria com cada um desses países,dependendo do mineral crítico. Essa é uma tarefa do governo brasileiro.
(Edição Luciana Casemiro e Ana Carolina Diniz)

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