
Ex-presidente da Alerj,Rodrigo Bacellar,e o pastor Márcio Poncio,presos na Operação Unha e Carne da PF — Foto: Márcia Foletto
GERADO EM: 02/07/2026 - 20:48
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A lista apreendida pela Polícia Federal em 2022,na casa do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho,ponto de partida da quinta fase da Operação Unha e Carne,traz vários codinomes. Os investigadores identificaram dois deles após um cruzamento de dados que confirmou outras provas já existentes — evidências que apontam pagamentos,doações eleitorais e movimentações financeiras ligadas à lavagem de dinheiro. A ação ocorreu na quinta-feira (02/07) contra três alvos.
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Segundo fontes da investigação,"Barba" foi identificado como o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar,já "Pastor",apontado como o pastor Márcio Poncio,religioso e empresário do ramo de cigarros. Os dois e Adilsinho tiveram mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF),no âmbito da ADPF 635,conhecida como "ADPF das Favelas". Os agentes só prenderam Poncio,pois os outros já estavam presos. Bacellar,assim como Adilsinho,foi transferido para presídio federal fora do estado. Adilsinho tem seis mandados de prisão contra ele.
Inicialmente,os agentes tinham dúvidas se Bacellar era mesmo "Barba",pois havia outra pessoa na lista com características semelhantes. Ao longo da investigação,porém,os investigadores concluíram que o codinome era mesmo do ex-presidente da Alerj,preso na segunda fase da Operação Unha e Carne,em 3 de dezembro do ano passado.
A relação de nomes e codinomes foi encontrada na mesa de cabeceira da casa de Adilsinho,em 2022,quando o contraventor estava fora do país e cancelou o retorno previsto para o dia da operação.
Além do nome do pastor Márcio Poncio na lista de Adilsinho,os investigadores descobriram que uma pessoa do ramo de cigarros trabalhou para os dois. Há ainda um terceiro motivo,mas as fontes preferiram não revelar,para não atrapalhar as investigações. O pastor foi preso na manhã desta quinta-feira no flat do Gran Hyatt,na Barra da Tijuca,Zona Sudoeste do Rio.
A relação encontrada com o contraventor mencionava ainda o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos,o TH Joias,e um delegado da própria Polícia Federal. A ação da PF apura indícios de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Entre os 14 mandados de busca e apreensão,havia um contra Marco Antônio Cabral,filho do ex-governador Sérgio Cabral.
Em nota,a defesa de Rodrigo Bacellar,nega que seu cliente "tenha atuado,de qualquer forma,para inibir ou embaraçar qualquer investigação,direta ou indiretamente,ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes". O texto diz ainda que "conforme extensa documentação acostada aos autos próprios,está cabalmente demonstrado que Rodrigo da Silva Bacellar não possui mínima vinculação com os fatos apurados,sendo certo que a instrução probatória apoiará as conclusões defensivas e comprovará aquilo que há muito é bradado".
A defesa de Adilson Oliveira Coutinho Filho "rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos" e afirma confiar "no Poder Judiciário e no devido processo legal".
Já a defesa do pastor Márcio Poncio disse que não teve acesso ao conteúdo do processo e por isso não vai se manifestar.

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