
Os poetas Raúl Zurita e Anne Carson: destaques da poesia no primeiro semestre de 2026 — Foto: Maria Isabel Oliveira/ Divulgação
O primeiro semestre de 2026 não conheceu nenhum fenômeno de vendas como foram os livros de colorir no ano passado. Segundo o Panorama de Consumo de Livros,pesquisa encomendada pela Câmara Brasileira de Livros (CBL) e realizada pela Nielsen BookData,em 2025,cerca de 11 milhões de brasileiros (7,1% da população adulta e 40 do público consumidor de livros) comprou ao menos um livro de colorir.
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Ainda assim,o mercado editorial brasileiro vive um bom momento. De acordo com o mais recente Painel do Varejo de Livros no Brasil,pesquisa da Nielsen e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros,no acumulado do ano (até 17 de maio),o setor cresceu 11,8% em vendas e 12,3% em faturamento em relação ao mesmo período de 2025. A pujança do mercado tem se refletido em mais investimento em literatura.
Na estante de literatura estrangeira,destacam-se duas obras de poesia que têm em comum uma certa qualidade espiritual. “Vidro,ironia e deus”,da canadense Anne Carson,conhecida por seu diálogo profícuo com os clássicos,ecoa o Antigo Testamento ao descrever o quão terrível pode ser o encontro com o divino. “Sua vida quebrando-se”,primeira antologia brasileira do chileno Raúl Zurita,também é pródiga em referências bíblicas: num poema,o território de seu país se confunde com o corpo do Cristo crucificado: “Uma só face com os braços abertos: uma ampla face/ coroada de espinhos.” Cotado para o Nobel de Literatura,Zurita foi perseguido pela ditadura de Augusto Pinochet.
Confira abaixo quais foram os destaques da poesia no primeiro semestre de 2026:
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