
Marcelo Lopes da Silva,procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM — Foto: Reprodução
GERADO EM: 09/07/2026 - 18:17
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Um dos seis presos na operação que mirou um esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole (IRM) foi Marcelo Lopes da Silva,que atualmente atuava como procurador-geral da autarquia. Segundo o Ministério Público do Rio (MPRJ),era ele quem quem emitia pareceres que davam a cobertura jurídica aos contratos considerados fraudulentos. Em seu currículo,há ainda a passagem pelo alto escalão do governo fluminense durante a gestão de Wilson Witzel.
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Vinculado à Procuradoria do Estado desde 1998,o advogado já foi nomeado até como procurador-geral do Estado na gestão entre 2019 e 2020. Marcelo deixou o posto em junho de 2020,quando sucedeu Lucas Tristão como secretário estadual de Desenvolvimento Econômico.
Segundo o Ministério Público,o procurador acobertava a operação criminosa,dando uma "roupagem lícita a atividades que não tinham objeto pertinente",conforme apontado por Delcio Alonso,coordenador do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf/MPRJ).
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— Um dos fatores chamou a atenção especificamente: por uma obra do divino,o procurador se afastou,de férias. E foi substituído por outra servidora,que,analisando corretamente o comportamento tanto da autarquia,quanto das pessoas jurídicas contratadas,apontou a irregularidade do objeto contratado. Na sequência,no retorno das férias,esse parecer foi ignorado e simplesmente foi substituído por outro que dava valia àquilo que a autarquia pretendia fazer — afirmou o coordenador do Gaesf,que tratou a situação como "gritante".
A promotora Roberta Jorio,por sua vez,detalhou que o envolvimento de promotor no esquema "ficou muito claro" a partir desse atropelo ao parecer que havia sido emitido nas suas férias.
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Na denúncia,o Ministério Público afirma que o Instituto Rio Metrópole foi capturado por uma organização criminosa e transformado em uma máquina de desvio de dinheiro público. Segundo a acusação,presidente,diretores,procurador e servidores ocuparam cargos estratégicos para fraudar licitações,dar aparência de legalidade aos contratos,impedir a fiscalização e garantir o fluxo de recursos desviados,convertendo uma autarquia estadual criada para planejar políticas públicas em um "instrumento de enriquecimento privado". Outras investigações prosseguem por parte do MPRJ,que apura outros contratos envolvendo a autarquia.
Os acusados utilizaram contratos firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos,ainda conforme a denúncia. O esquema teria movimentado R$ 86,28 milhões. Segundo o Ministério Público,valores pagos a duas empresas contratadas eram posteriormente transferidos para o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO),entidade sem estrutura operacional compatível,de onde o dinheiro era sacado em espécie.
— A gente teve contratos fraudulentos que foram celebrados com o Instituto Rio Metrópole,com fraude tanto na licitação quanto na fiscalização da execução dos contratos. Na medida que dois membros da organização criminosa eram responsáveis pela fiscalização desses contratos. E depois,posteriormente,houve a celebração de contratos fictícios entre essas empresas,que haviam celebrado contratos com o IRM,com o Instituto BIO — explicou Roberta Jorio,promotora de Justiça do Gaesf/MPRJ.
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A promotora tratou o contrato com o Instituto BIO como "inteligível",já que "não é capaz de compreender o objeto do contrato".
— Era para a consultoria para hidrovias de uma ONG em Teresópolis cuja diretora-presidente até data recente recebia Bolsa Família. Essa é a realidade,uma diretora-presidente advogada,sem nenhuma formação na área,que celebrava contratos com essas empresas.
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Nas redes sociais,o Instituto Bio é apresentado como escola de BioCulinária que atua na formação de biochefs — o que causou “perplexidade” nos integrantes do MPRJ.
— Não faz sentido,e a perplexidade é de todos,que um instituto de desenvolvimento metropolitano tenha contrato com uma ONG desse tipo,os objetos não casam. O que chama ainda mais a atenção para a necessidade de revisão desses contratos. Foi um descortinar constante de surpresas para a gente — explicou Delcio Alonso,coordenador do Gaesf/MPRJ.
O MPRJ requereu e obteve a prisão preventiva dos agentes públicos identificados como integrantes do esquema. Segundo a denúncia,Davi Perini Vermelho,o Didê,que é ex-presidente da Câmara de São João de Meriti,chefiava o núcleo de servidores investigado,autorizando contratações,firmando contratos e controlando pagamentos. Fontes ouvidas pelo GLOBO atribuem sua indicação ao deputado federal Julio Lopes (PP).
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Davi Perini Vermelho, presidente do IRM e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti,que chefiava o núcleo de servidores investigado,firmando contratos e controlando pagamentosMaurício Silva Knoploch dos Santos,diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação,apontado como articulador do direcionamento das licitações em favor das empresas contratadasFranquis Dias Nepomuceno,diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil,que atuava como ordenador de despesas e exercia o controle de fato do grupo RioForte,responsável pela escolta armada do dinheiroMarcelo Lopes da Silva, procurador do Estado então à frente da Procuradoria-Geral do IRM,acusado de emitir os pareceres que deram cobertura jurídica às contratações e ao reajuste irregular do contrato. Ele é ex-procurador-geral do Estado e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico na gestão Wilson WitzelCaroline Soares Barros, que acumulava as funções de fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO — a entidade de fachada por onde os recursos passavam antes de serem sacados em espécieAmanda Íthala Santos da Paschoa,que a sucedeu na fiscalização e atestou a execução dos contratos,respaldando os pagamentos. Ela é nora de Maurício Knoploch e cunhada de Alexandre Knoploch
Em relação aos demais denunciados,a Justiça aplicou medidas cautelares diversas da prisão,entre elas,o monitoramento eletrônico,o comparecimento periódico em juízo e a proibição de se ausentarem do país. Também está vetado o contato com testemunhas. São eles: Leilson de Souza Nepomuceno,Gerson Luís de Araújo Rodrigues,Hélio Augusto Machado Pessôa,Roberto Accioly Peotta e Roberto Peotta.
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