
Refluxo — Foto: Magnific
GERADO EM: 26/07/2026 - 11:36
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O peito queima,a garganta arde. É uma sensação diferente,difícil de ignorar. Incomoda,vai e volta,às vezes piora,outras vezes diminui. Esses são alguns dos sintomas mais comuns do refluxo gastroesofágico (RGE),uma das doenças do aparelho digestivo mais frequentes.
Segundo Mariana Patrón Farias,nutricionista e diretora da Nutrim,consultoria de nutricionistas voltada para empresas,a condição se desenvolve "quando o conteúdo do estômago provoca sintomas incômodos e/ou complicações".
O refluxo ocorre quando o esfíncter inferior do esôfago,uma espécie de válvula entre o esôfago e o estômago,não impede adequadamente o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago. Esse material,rico em ácido,pode provocar a sensação de queimação atrás do esterno — conhecida como azia — e,em alguns casos,chegar até a boca.
A condição afeta cerca de 40% da população latino-americana pelo menos uma vez por mês. Entre 12% e 20% das pessoas apresentam sintomas uma vez por semana,enquanto cerca de 2% sofrem com o problema de forma crônica. Na Argentina,estudos apontam que o refluxo atinge 23% da população adulta — o equivalente a quase uma em cada quatro pessoas.
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Segundo o gastroenterologista Horacio Rubio,ex-presidente da Sociedade Interamericana de Endoscopia Digestiva,o refluxo está diretamente relacionado aos hábitos alimentares,ao descanso e à prática de atividade física.
— Os principais alimentos que provocam esse desconforto são doces,alimentos picantes,gordurosos,bebidas alcoólicas e café — afirma.
Segundo o médico,esses alimentos permanecem por mais tempo no estômago,reduzindo a pressão do esfíncter inferior do esôfago e favorecendo o refluxo do conteúdo ácido.
Para os fumantes,as notícias também não são animadoras.
— Fumar também reduz a pressão do esfíncter inferior do esôfago,em parte por causa da inspiração profunda e da tosse provocada pelo cigarro. Como consequência,aumenta a pressão dentro do abdômen e diminui a produção de bicarbonato na saliva,substância responsável por neutralizar o ácido — explica Patrón Farias.
Embora não seja um problema novo,estima-se que a doença tenha se tornado mais frequente nos últimos 20 anos em razão das mudanças no estilo de vida e nos hábitos da população.
Segundo Rubio,o refluxo também está diretamente relacionado ao bem-estar. Estresse,ansiedade e sedentarismo não apenas agravam os sintomas,como também favorecem seu aparecimento. Almoços rápidos durante a jornada de trabalho,falta de tempo para planejar as refeições,dificuldade para praticar exercícios físicos e a rotina acelerada,que contribui para o desequilíbrio emocional,também podem favorecer o problema.
Por isso,Rubio alerta para a importância de observar a frequência dos sintomas.
— É preciso diferenciar um episódio ocasional de um problema persistente. Quando o refluxo acontece repetidamente,é fundamental procurar um especialista,porque pode haver algum problema que precisa ser investigado — afirma.
Fatores genéticos: a predisposição aumenta quando há casos de refluxo gastroesofágico na família.Obesidade: o excesso de gordura corporal favorece o aparecimento dos sintomas e aumenta o risco de complicações.Tabagismo e consumo de álcool: fumar e beber reduzem a pressão do esfíncter inferior do esôfago,facilitando o retorno do ácido do estômago,que exerce efeito tóxico sobre a mucosa.Fatores alimentares: embora a relação ainda não esteja totalmente comprovada,pessoas que consomem com frequência alimentos como frutas cítricas,chá,café,chocolate,cebola,pimenta e hortelã tendem a apresentar maior predisposição aos sintomas. Além disso,refeições ricas em gordura e sal permanecem por mais tempo no estômago,reduzindo a pressão do esfíncter inferior do esôfago e facilitando o refluxo do conteúdo ácido. Esses alimentos também são mais calóricos,contribuindo para o ganho de peso,outro fator de risco.Exercícios físicos intensos: atividades como corrida,ciclismo e musculação também estão entre os fatores de risco,já que o impacto dos movimentos pode favorecer o refluxo do conteúdo ácido.
Patrón Farias e sua equipe recomendam dez alimentos que podem ajudar a prevenir o refluxo. Ainda assim,a nutricionista ressalta a importância de procurar orientação profissional,já que cada paciente tem necessidades nutricionais e tolerâncias alimentares diferentes.
Pão branco: De preferência,pão francês ou pão de forma,levemente tostado. É recomendado por ser de digestão mais fácil do que o pão integral,que contém mais fibras e pode retardar o esvaziamento do estômago.Carnes brancas: Frango,especialmente peito,e peixes como merluza e linguado são boas opções por terem baixo teor de gordura e serem de digestão mais rápida. O ideal é prepará-los de forma simples,cozidos ou grelhados,evitando partes muito tostadas ou queimadas,que podem causar desconforto.Leite desnatado: Por ter menos gordura,tende a ser mais bem tolerado por algumas pessoas com refluxo. A recomendação é consumi-lo puro,pois pode ajudar a aliviar os sintomas.Arroz: O ideal é optar pelo arroz branco,bem cozido,e não al dente. Rico em amido,é um alimento de digestão fácil e que costuma ser bem tolerado por quem sofre de refluxo.Cenoura: Rica em fibras,vitaminas do complexo B e minerais como potássio,sódio e cloro,pode ajudar a reduzir o desconforto digestivo. A recomendação é consumi-la cozida ou ralada.Abóbora: Deve ser consumida cozida,sem casca nem sementes. Suas fibras ajudam na digestão e podem contribuir para reduzir a irritação provocada pelos ácidos do estômago.Banana madura: Quanto mais madura,melhor. Rica em fibras e potássio,também possui características alcalinizantes que ajudam a neutralizar a acidez gástrica.Ricota: De preferência,a versão com baixo teor de gordura. Como contém pouca gordura,tende a provocar menos desconforto e pode ser consumida pura ou em preparações.Ovos: Por serem uma fonte de proteína com baixo teor de carboidratos,podem ser uma boa opção para quem tem refluxo. A recomendação é consumi-los cozidos,preservando suas propriedades e evitando o uso de gordura no preparo.Macarrão: Assim como o arroz,é rico em amido e costuma ser de fácil digestão. O ideal é consumi-lo bem cozido e evitar molhos muito gordurosos ou condimentados,que podem agravar os sintomas.
Além disso,os especialistas recomendam fazer de quatro a seis refeições por dia,evitar longos períodos de jejum,moderar o tamanho das porções,mastigar bem os alimentos e comer devagar,sem estresse nem distrações.

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